quinta-feira, 30 de junho de 2005

MAIS ALGUMAS NOTAS SOBRE A INFÂNCIA DE LEO CORBUSIER E REINALDO, O BRUTO

Realmente, eu e o Reinaldo, com dez anos de idade, escrevemos uma peça para zoar um programa infantil, mas na verdade era o da Mara Maravilha, e não o da Xuxa. Seria o programa da “Mara Mortandade”, até fizemos uma paródia da música de abertura. Eu só lembro de um pedaço:

“...Mortandade é ter inimigo
E poder imaginar
Que um dia morrereeemos
Numa guerra nuclear...”

Nem lembro da versão original da música, só desse trecho da nossa versão adulterada. O cenário seria feito com papelão e arame farpado preso em tábuas. Lembro também que bolamos uma “brincadeira” para animar o programa: a “Travessia do Campo Minado”, de “meninos contra meninas”, ganhava quem chegasse vivo do outro lado. Para operacionalizar isso na peça, o “campo minado” seria atrás de um papelão, quando os moleques entrassem lá começariam a gritar e jogar braços e pernas de bonecas sujos com catchup para fora do papelão, e não sairiam mais. Aí a “Mara” diria “Que pena, dessa vez ninguém levou o videogame!”. Tinha outras coisas na peça, mas só disso que me lembro. De qualquer modo, isso ia dar trabalho demais e acabou não saindo, como disse o Reinaldo.

A modéstia do Reinaldo também o impediu de dizer que, na segunda série, ele sentava a porrada nos moleques da quarta. Não parece nada para a gente que é adulto, bater em alguém mais velho é até covardia. Mas quando se é criança, dois anos a menos trazem uma puta diferença de tamanho. Não que isso fizesse diferença para ele, tosco desde sempre. Hoje, nem lembro bem o que fazia o Reinaldo se divertir dando porrada em moleque mais velho, só sei que ele gostava de bater.

Uma outra que ele não contou é que ele era vidradão numa guria da nossa sala, vamos chamá-la de Elisângela (nome fictício). Bonitinha mesmo, mas uma criança ainda, lógico. Moleque se apaixonar é normal, mas o Reinaldo não queria exatamente “pegar na mão” dela. Com nove anos de idade, ele me descreveu, mais de uma vez e com riqueza de detalhes, todas as posições em que sonhava comê-la, em todos os orifícios possíveis, como gostaria de gozar na boca da menina, que queria que ela fizesse strip-tease para ele antes, tudo isso.

Agora, nossos quadrinhos realmente eram um espetáculo à parte. Surubas entre professores e funcionários da escola, regadas a pico na veia. Batidas da PM pegando funcionários trepando com um monte de seringas espetadas (estilo Geraldão) dentro do banheiro de alunos. Quanto a isso, não foi uma infância perdida. Pretendo retomar essas tosqueiras.