segunda-feira, 19 de julho de 2010

TV e você, nada a ver

Há quem veja na televisão, corretamente que seja, uma forma de dominação do sistema, a voz do establishment. Sendo-o ou não - certamente já o foi mais que hoje - espanta-me menos suas débeis - atualmente - tentativas de produzir consenso, que sua capacidade de decepcionar-me, e minar a já pouquíssima fé que deposito no jornalismo brasileiro.

Ontem assistia o notíciário de uma importante rede de TV aberta de manhã cedo. O apresentador muito se orgulha da emissora ser a única do DF a possuir um helicóptero, cujo nome infame brada a plenos pulmões sempre que vislumbra a oportunidade:

- Estamos aqui no Áááááááááguia do Cerrado trazendo a melhor informação, cruzando os céééus em busca da notícia.

Notícias essas que usualmente são tão relevantes quanto a que divulgou ontem, com a habitual interferência do som da hélice:

- A EPTG (importante via do DF) está com o trânsito parado, porque o sinal está fechado.

Sim, sinais de trânsito mudam de verde para amarelo e vermelho, e nesse momento, os carros páram. Incomoda-me profundamente pensar nos custos envolvidos para produzir e transmitir conteúdo televisivo quando a mensagem atinge esse nível. Certamente não vai ser esse tipo de gente que me influenciará na hora de decidir o voto.

E a TV a cabo não é tão melhor, não. Desisti da assinatura quando notei que a diferença fundamental era zappear por cinquenta canais, em vez de dez, para não encontrar nada que preste. Milhares de seriados e documentários que acabam se tornando repetitivos combinavam-se com a repetição desertificante dos filmes nos canais de filmes. Quando vi-me assistindo pela terceira vez o mesmo filme "B" de produção própria apenas para passar o tempo, entendi que era uma boa cancelar a assinatura. Certamente vale mais a pena investir o dinheiro em cinema e vídeo.

Acho que a mídia brasileira está acomodada, precisando de uma sacudida, isso certamente é um trabalho para a Buldozer Corporation. Aguardem o próximo capítulo.