segunda-feira, 9 de julho de 2007

Motivado pelo vídeo do pai nerd...

...fui assistir “O Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado”. Sempre quis ver o Surfista Prateado bem feito no cinema, e nisso os caras realmente mandaram muito bem. Nisso. E só. Se você quer se “surpreender” com o filme, se é que isso é possível em meio a tal sucessão de clichês sobrepostos, não leia esse post. Veja algum dos pontos “altos”:

1)Clichês nunca são demais! Hollywood para sempre!

O filme tem piadas abestadas de três em três minutos, elementos de merchandising na tela a cada 5 segundos, e o Fantasticarro (nave voadora dos caras) leva a logomarca da Dodge! Só faltou a logo da Alcan na prancha do Surfista. Embora o quarteto seja independente, de acordo com a trama, arranjaram um jeito de inserir um "chefe chato do tira durão" no filme, na marra, provavelmente o departamento de clichês achou que tava faltando. Um milico que odeia o Reed Richards e fica enchendo o saco dele o filme inteiro, e também atende perfeitamente o estereótipo racista do negão com autoridade que fica arrogante e insuportável. Criam também uma situação absurda para a Jéssica Alba aparecer nua, mas sem mostrar nada demais (de que adianta?), além disso...bem, esquece. Dava para escrever um livro.

2)Quanto mais aberrante melhor

Personagens de quadrinhos sempre trabalham no campo do absurdo, mas exageraram dessa vez. Galactus é uma nuvem de poluição gigante e provavelmente nasceu em Cubatão. É uma espécie de versão turbinada do efeito estufa. O Surfista Prateado é feito de mercúrio, e provavelmente nasceu em um garimpo ilegal no Alto Amazonas. A cara de maníaco depressivo provavelmente deve ser porque foi enrabado por garimpeiros na infância. Ou por ianomâmis, vai saber.

Além disso, é ótimo apanhar do Surfista Prateado. As rajadas de energia dele curam hemorróida, aids, câncer, e unha encravada. Pelo menos, quando ele lançou uma no Dr. Destino, todas as deformidades dele se reverteram. Além disso, ser esganado pelo Surfista Prateado pode te transformar no Superskrull. Pelo menos é o que rola com o Johnny Storm, que depois de tomar uma benga do Surfista, passa a ser capaz de absorver os poderes dos outros membros do Quarteto.

3)Os nerds são a raça do futuro

Na despedida de solteiro do Sr. Fantástico, todas as gostosas da boate sentem uma súbita vontade de se jogar em cima de um cientista introvertido de meia-idade. Não bastasse a Jessica Alba se interessar por ele, as gostosas da boate ainda topam uma “dança elástica” com o cara. Provavelmente na esperança dele poder esticar a pica na hora “H”, ou quem sabe até dividi-la em duas.

Rola também uma cena “a vingança dos nerds", sem sutilezas. O capitão chama o Quarteto de “bunch of freaks”, e enche o saco do Reed para obedecê-lo, "porque o capitão aqui sou eu, entendeu", e depois completa rindo "mas aposto que você não jogou futebol no colégio, não é, Richards?!" Aí o Senhor Fantástico responde: "Não. Fiquei trancando na biblioteca estudando, como um bom nerd. Agora, 15 anos depois, eu sou uma das maiores mentes do século 21, minha noiva é a mulher mais gostosa do planeta e o babaca do capitão do time está aqui implorando a minha ajuda, que só vai ter se tratar meu grupo com respeito". Os freaks americanos devem ter aplaudido a cena na estréia, aposto. Será que o diretor foi vítima de bulling?

4)Final absurdo

O final do filme é tão imbecil que passa a impressão que foi bolado às pressas, depois do início das filmagens, em um momento de caganeira do diretor em um banheiro químico nas locações externas, ao notar que tinha acabado o papel. Depois de passar o filme inteiro dizendo que Galactus era o ser mais fodão do universo, absolutamente invencível, e as próprias imagens mostrarem o bichão como uma nuvem de poeira maior que a própria terra, o Surfista muda de idéia subitamente, inspirado pela semelhança dos peitos da Jéssica Alba com a de sua amada Shalla Ball, e destrói Galactus em dois segundos com um flash saído do nada (que provavelmente o surfista tem enfiado no rabo, tipo uma arma secreta a la 007). Nem o “Nulificador Total” da história original era tão estúpido.

Antes que algum fã xarope venha encher, sim, eu sei que um filme desse tipo deve ser visto como diversão descompromissada para a molecada. Mas convenhamos que qualquer pirralho saca umas cagadas de roteiro tão óbvias e babacas. Boa sorte no próximo, manés!