quarta-feira, 27 de junho de 2007

TV Pública - Quem se importa?

Acho meio desviada, ou talvez mesmo meio viada, toda essa discussão sobre a nova TV Pública brasileira. Muito está se discutindo sobre o que ela deve ser. Na qualidade de usuário fodido da TV aberta e espectador eventual da nossa existente e famigerada TV Nacional, acho bem mais legal a gente discutir o que ela NÃO DEVE ser. Ninguém discute que 110% do conteúdo da TV aberta comercial brasileira é uma merda completa. Agora, embora não possa falar muito das TVs estatais de outros estados, a TV Nacional, que é transmitida aqui em Brasília, pelo que já pude ver, tem seu tempo de programação composto da seguinte maneira:

20% - Pobre se lascando (pleonasmo);
20% - Índio no meio do mato (em geral, se lascando também);
20% - Um monte de gente com títulos imponentes, sentada em cadeirinhas, discutindo pra cacete e chegando à brilhante conclusão de que o país é uma zona e nossos políticos são burros e FDP;
10% - Minorias discriminadas reclamando de como é uma merda ser minoria discriminada;
10% - Pobres lascados descobrindo maneiras de ganhar cem contos por mês copiando o Mestre Vitalino;
10% - Apresentações de cavaquinho;
10% - Desenhos animados feitos com massinha.


Lembro de um programa sobre literatura que achei a síntese de tudo que é a atual TV estatal, um quadro cuja proposta é "estimular a leitura": um gordinho de óculos e cavanhaque (parece alguém que eu conheço, por sinal) aparece sentado numa poltrona de couro marrom com um livro na mão. O obeso em questão é um professor de literatura, e passa uns dez minutos com a câmera fixa nele, falando de como aquele livro que ele tem na mão é legal e merece ser lido. Aí acaba. Se eu lembrasse o nome do "programa", iria atrás de uma imagem para postar aqui, para ninguém duvidar do que estou falando. Não me admira que nenhuma editora faça força para inserir publicidade naquilo.

Se for nesse tipo de coisa que o governo pretende inserir zilhões, acho melhor deixar quieto e largar o povão por conta de telenovela mesmo, pelo menos tem umas gostosas e meia dúzia de cenas fraquinhas de putaria. Não aumenta a cultura de ninguém, mas pelo menos pode render uma bronha para os mais impressionáveis.

Aguardem, publicaremos em breve: Uma proposta Buldozer para a TV Pública Brasileira