quarta-feira, 30 de agosto de 2006

PUTZ...

A Amanda Freitas, uma de nossas digníssimas leitoras, abriu uma comunidade no Orkut em nossa homenagem. Segue o link:

Eu leio o Buldozer todo dia

No começo eu achei a atitude da menina muito fofa e cheguei a pensar que uma parcela de nossos leitores realmente gostava dessa merda aqui. Pelo visto eu me enganei. Além da comunidade só ter 13 membros, a Amanda, sem nenhum aviso, saiu da comunidade e a deixou sem moderador. Como deixar uma comunidade no Orkut sem moderador é o cúmulo da escrotice, vou pedir uma ajuda dos nossos iluminados(?) leitores. Por favor, me respondam: o que eu devo fazer nesse momento crítico?

a) Esperar que um outro leitor do Buldozer se torne moderador.
b) Pedir que um colunista do Buldozer se torne moderador.
c) Deletar a comunidade.
d) Tocar o foda-se e deixar como está, pois o Orkut é coisa de masturbador compulsivo.
e) Erguer um continente de Kriptonita no lugar do Japão.
f) Entrar pelado em uma igreja com um espada de plástico e gritar "só pode haver um!".
g) Fazer uma sessão espírita e evocar o espírito do Tim Maia.


Respondam nos comments.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

MERDAS QUE RECEBO POR E-MAIL - Deborah Secco sofre distensão na virilha


Um mundo com estranhas prioridades... Por exemplo, a notícia impressionante de que a Deborah Secco distendeu a virinha e na nota de rodapé do e-mail ainda me informam que ela fez numerologia e modificou o nome para ter mais sucesso mesmo com certos problemas de saúde, isso foi a causa da distensão. É triste, viu...

Deborah e sua virilha

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

MERDAS QUE RECEBO POR MAIL - vejam esse picareta do Rio Grande do Norte

Leite encanado?! O pior é que o cara é filiado a um partido dito cristão (Partido Trabalhista Cristão) , mas usa um título de islâmico (xêque). Vai entender.


quinta-feira, 24 de agosto de 2006

O POÇO NÃO TEM FUNDO - Cidade na China proíbe striptease em funerais


Quero morrer bem velhinho no interior da China! Para animar o meu funeral, chamem duas lutadoras de kung-fu para fazerem um strip e depois lutarem nuas em um tanque com molho agridoce:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u56333.shtml


Reinaldo Bruto

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Os homens e o orgasmo feminino

Vamos e venhamos homens são bichos estranhos. A relação deles com o orgasmo feminino então, é mais estranha ainda. Mas a maioria que lê este blog é de homens, então acho que vai dar trabalho fazer este post chegar onde eu quero. Vai ter um bando de gracinha dizendo que quero chegar no orgasmo, não deixa de ser verdade.

Entre as minhas muitas teorias e categorias para classificar homens, acho que existem três tipos de homem: a) o cara que está pouco se fudendo se a mulher vai gozar ou não; b) o cara que se preocupa com o prazer da mulher; e c) o cara que tem talento nato pra coisa e portanto nunca se ligou nisso.

É bom esclarecer, caso algum desavisado não saiba, que homens da última categoria são raríssimos, há até quem diga que são lenda urbana. Já os homens na primeira categoria estão sem diferencial num mercado concorridíssimo, afinal se você pega a mulher de jeito e ela dá pra você na primeira noite não é muito esperto da sua parte ser tão básico como se estivesse com a boneca inflável do seu tio. Mas o que me interessa mesmo nesse post é a categoria dos caras que se preocupam com o prazer da mulher.

Esse grupo é como um imenso balaio de gatos, existem homens que se preocupam com isso nos mais diversos níveis: tem o cara que depois do 'serviço' vira pra mulher e diz e aí, foi bom pra você? - isso é clichê, pode ser engraçado às vezes, mas não sempre; tem o cara que passa a mão perto de um ponto estimulante a mulher dá uma suspirada e ele acha que já não precisa mais nada - por favor, né?; tem o cara esforçado, que estuda com afinco e aprende o mapa da mina - esses são quase tão raros quanto os que tem talento nato; tem o cara que é bom aluno, a mulher indica o caminho uma vez e o cara já tira 10 na prova do segundo bimestre; tem o cara incompetente, que leu o manual nos tempos de colégio e se acha expert; tem o cara dependente, que só goza depois que você gozar.

Esses dois últimos tipos são que nem Ipê, há quem diga que tá acabando, mas onde você olhar no país inteiro você vai dar de cara com eles. O problema é o que custa se meter com um cara desses (ou deixar um cara desses meter). O expert-incompetente acha que a mulher não sabe nada de sexo, que não curtiu porque não sabe o que é bom e sai jurando pra todo mundo que vai comer a dita cuja sempre que quiser. Essa mulher vai se arrepender muito desse sexo, demais. Porque como esse cara acha que é bom, ele vai correr atrás e de vez em quando pode se dar bem, a mulher cede pra não ter mais que aturar e aí a coitada vai sofrer com o círculo vicioso.

E o dependente, putaqueopariu o dependente, viu? Olha, muitas vezes é pior que o cara que não se importa, porque o cara que confunde a mulher com a boneca inflável do tio pelo menos já tem uma prática com a boneca e vai ser rápido, isso pode ser consolador, ou até bom em alguns casos. O problema do dependente é que ele não costuma ser bom aluno, não faz pesquisa de campo, não é bom nisso e passa metade da transa perguntando já gozou? (...) então, já gozou? e a gente cai na velha piada da mulher pensando em pintar o teto de verde, olhando as horas ou até rezando pro celular tocar com uma emergência qualquer.

É por causa disso tudo que muitas vezes eu acho que é bom prum garoto novo pegar uma mulher bem rodada... Pra aprender bem antes de ficar orgulhoso ou começar a fazer o tipo fofinho...

Nota: sei que não escrevo aqui há muito tempo, mas já dizia meu pai, se é pra entrar no jogo aos 40 do segundo tempo, entra de sola...

BULDOZER ENTREVISTA ALLAN SIEBER - parte 4 (final)




Legenda para ignorantes:

LC: Leo Corba
RB: Reinaldo Bruto
AS: Allan Sieber
LM: Lauro Montana
LI: Lima
CI: Cida


LM: Para você a internet foi o melhor canal de divulgação do seu trabalho?

AS: Ah, certamente, cara. Esse negócio de blog eu acho maravilhoso. Eu não sei lhufas de HTML...

LM: Apesar de não ser rentável, né?

AS: Já foi.

LM: Mas é um portfólio teu, né, cara?

AS: Teve um pessoal que ganhou dinheiro ali em 2000, 99. Tipo, o Casseta vendeu o site deles por, sei lá, uns cinco milhões, alguma coisa assim. Hoje eles não venderiam por 100 pau, mas enfim. Eu acho excelente esse negócio de blog, porque você não precisa saber técnica, você não precisa ter nenhum conhecimento específico de HTML, programação, essas coisas.

LM: Nós [risos]!

AS: Eu acho isso maravilhoso, é realmente democrático. Você não tem que pagar nada, que já é outra coisa linda, e o negócio vai estar ali pra todo mundo, entendeu? Teoricamente o mundo inteiro pode ver os seus desenhos. Eu acho isso sensacional, uma coisa que substituiu o fanzine no lance do espírito de você mostrar o seu trabalho. Obviamente nunca vai substituir o fanzine na coisa tátil, assim, de ser um negócio que você possa folhear, do prazer de você ir lá e reproduzir a tua revista e ver aquilo ali pronto e tal. A internet nunca vai substituir essa sensação, mas num dos aspectos...pô, você é um cara mais novo e ninguém conhece o seu trabalho, você quer mostrar o seu trabalho pro pessoal, e aí a internet foi avassaladora, assim, foi matadora.

LC: Tu trabalhou com o Jorge Furtado, vive na cola do Pereio [o ator Paulo César Pereio], agora a Chiquinha entrou na "F". Vocês gaúchos têm algum tipo de clubinho ou coisa assim, tipo separatismo?

AS: Não, cara! Muito pelo contrário. Eu detesto gaúcho, não moro em Porto Alegre...juro por Deus, é tudo acaso mesmo. O Pereio é um cara que eu era meio obcecado por ele mesmo e tal. Teve um filme dos anos 80 chamado "Noite", que é de um livro muito foda do Érico Veríssimo, que é um cara que perde a memória e tal e aí ele encontra uns caras da noite meio trambiqueiros e fica vagando com esses caras. Mas quando eu era moleque eu vi esse filme e pensei "nossa, esse cara é muito foda!". Aí, enfim, depois eu vim a conhecer o Pereio por causa do "Idiotas mesmo" [curta do Sieber] e tal. Ele se mudou pro Rio meio quando...

LM: Ele morava por aqui.

[Lauro e Allan iniciam uma conversa paralela sobre o fato de Paulo César Pereio ter morado em Brasília. Falam também do irmão dele, que mora aqui em Brasília e é um professor de teatro figuraça. Lauro comenta que já teve algumas aulas de teatro com ele e viu um traficante cobrar dinheiro no meio de um ensaio. Lindo]

AS: O Jorge Furtado eu conheci quando eu tava morando no Rio e ele veio com essa idéia de fazer as animações do filme "O homem que copiava" e tal. Mas é acaso. A Chiquinha também. A Chiquinha é uma das poucas garotas que faz humor...

LC: Humor engraçado, né?

AS: Humor engraçado, exatamente [risos].

RB: E tosco, né?

AS: E tosco, claro. Eu acho a Chiquinha muito gênia, assim, aquela coisa de onomatopéia e o traço dela mega sintético, sem frescura. Eu acho ela muito, muito boa mesmo.

LC: Dá pra notar uns ódios bastante específicos no seu trabalho. Dois de seus alvos principais são sua terra natal e as igrejas evangélicas. Fale um pouco disso.

AS: Esse negócio do Rio Grande do Sul eu sou contra essa coisa, como você tava falando mesmo, que a maioria dos gaúchos tem essa coisa de separatismo e tipo [tom de deboche] "nós temos a melhor qualidade de vida do Brasil e tudo que é feito aqui é melhor, e nós somos mais cultos, mais inteligentes"...

LM: Mais brancos.

AS: Exatamente, mais brancos...

RB: Mulheres mais gatas e tal.

AS: Bom, isso é verdade [riso geral]! Na verdade, assim, o Brasil é bizarro. Em qualquer lugar você vai achar garotas bonitas. Mas, enfim, tem essa coisa do gaúcho que eu acho muito chata, de ficar sempre...uma coisa autoreferente, tipo, gostar muito de ser gaúcho. Isso foi uma coisa que sempre me irritou e tal. E esse negócio de evangélicos é por que eu era...quando eu era moleque eu era adventista e tal. Por questões de família eu fui acabar virando literalmente um fanático. Eu era um fanático religioso. Dos 8 aos 13 anos eu era muito fanático mesmo e aí, graças aos amigos, assim, eu saí da igreja. Eu era uma criança meio autista, quase não tinha amigo e tal. Então eu era muito influenciável, aí eu entrei nessa de religião, assim, muito fácil e tal. Muito crédulo e ingênuo...e isso foi uma coisa muito brutal pra mim. Até hoje eu tenho seqüelas. Esse negócio de pré-adolescente, dos 8, 13 anos, é uma coisa ali que você está construindo...

LC: Você tem uma tira que mostra, tipo, você batendo punheta e arrependido. Aquilo rolava mesmo?

AS: Claro, claro. É coisa de pré-adolescente. Isso aí pra criança ou adolescente é extremamente danoso, esse negócio religioso, essa coisa cristã, culpa. É uma coisa medonha!

RB: Tipo, a punheta é bom mas é pecado.

AS: Não, tudo é pecado! Tudo que é bom é pecado. Tudo! É bizarro.

CI: Aconteceu alguma coisa, assim, específica para você sair disso e mudar?

AS: Não, na verdade foi meio gradativo. O que aconteceu foi eu começar a fazer amigos no meu bairro, assim. Eram pessoas normais, né? Aí, obviamente, isso entrou em conflito com essa coisa da igreja e tal. Pô, eles faziam o que moleque faz, tipo encher a cara, fumar, fazer um monte de merda, e aí eu comecei a entrar nessa e isso meio que entrava em conflito com essa coisa religiosa certinha. E eu, assim, de um jeito muito relutante, fui abandonando a igreja e tal, até que abandonei completamente. Então, é os amigos que formam as pessoas.

LC: Você trabalha mais sóbrio ou doidão? Pergunto por que as bactérias evangélicas e o caçula da família urso são umas coisas muito do nada...

AS: Cara, eu trabalho de qualquer jeito. Tinha um tempo que eu curtia essa onda de trabalhar bêbado. Não bêêêêbado, né? Mas, tipo, trabalhar bebendo. E bebendo pra caralho e desenhando. Isso até certo ponto funcionava, mas hoje em dia eu não consigo mais fazer isso. Eu trabalho sóbrio e tal.

LI: Você conseguiu parar de fumar?

AS: Cara, tô tentando na verdade [risos]. Essa é minha décima milésima...

LC: Como é naquela tira, viciado em tentar parar de fumar?

AS: Exatamente. É foda, cara. Agora eu tô tomando um remédio, Zipan, que é tipo um anti-depressivo que descobriram que ajuda a aliviar a vontade de fumar. Tipo, agora eu tô morrendo pra fumar! Pô, café e álcool são duas coisas que, tipo, o desejo pela nicotina...

LI: Aumenta muito.

AS: Nossa, tipo, pula! Dessa vez eu não tô levando isso como uma missão, assim, cristã de sofrimento. Tipo, se eu tiver que fumar, se eu tô bebendo, foda-se! Eu fumo e tal. Mas eu tô numa onda de não fumar no dia-a-dia, comecei a nadar [riso geral]. Mas não virei evangélico, nada. Se eu estiver muito tenso eu fumo e foda-se.

LM: Você quer prolongar um pouco a sua validade aqui nesse planeta.

AS: Exatamente. Pô, é que realmente eu sou compulsivo. Se eu for fumar mesmo eu fumo três maços por dia. Eu fumo muito, cara. Isso aí não pode dar certo, é foda!

LC: As fotonovelas da "F" tão do caralho. Vocês têm algum plano de produzir curtas na mesma linha? Seria o orçamento mais baixo da história.

AS: Cara, a gente já pensou em fazer um mini documentário assim, tipo, "como é uma merda fazer a 'F' ", como tudo dá errado. Nada dá certo, literalmente nada dá certo! É foda.

RB: Planeja uma coisa e sai o inverso.

AS: Sai o inverso, ou então alguém faz uma cagada muito idiota, tipo, a gente vai viajar e o Arnaldo [Branco] no aeroporto, tipo, "caralho, esqueci minha identidade!". Umas coisas de criança com um cara de 35 anos na cara [risos], entendeu? A gente é muito desorganizado, de uma maneira quase cômica, assim. Então...essa hipótese de fazer um documentário a gente já pensou nisso, mas não foi levado a cabo ainda. Mas as fotonovelas, puta, na verdade um dos principais motivos pra gente fazer a "F" foi justamente ressucitar essa coisa de fotonovela que tinha...

LM: No Chiclete com Banana?

AS: É! Eu achava muito clássico, muito engraçado.

LM: Você também batia bronha pra Cristiane Tricerri [nota: atriz que participava da maioria das fotonovelas da extinta revista "Chiclete com Banana", sempre em trajes mínimos]?

AS: Pô, não, toda...aquela seção Ed Campana e tal, clássico!

LM: Acabou com a mão de muito moleque!

AS: Com certeza, né [riso geral]? Tinha, sei lá, 14, 13 anos...

LM: Naquela seção Uppercut, teve um moleque que falou que ela ganhava de 5 contra 1 da Xuxa [riso geral]. O moleque batia 5 pra Tricerri e uma pra Xuxa.

LC: Notei que você meio que largou de mão o "Preto no Branco" online na Tonto...

AS: Não, agora eu retomei.

LC: Retomou?

AS: Nessa semana já tem outro lá, depois de meses. E agora eu vou tentar fazer pelo menos quinzenal, que é um formato que eu gosto e ali eu posso fazer qualquer merda. Ali não tem um jornal, ninguém tá me pagando, então ali eu posso fazer realmente o que eu quero. Eu não mantive aquela assiduidade assim, que eu tinha, por conta de não ter tempo mesmo. Mas agora, não que eu tenha mais tempo, mas eu resolvi me disciplinar e retomar aquele espaço e tal. Então nessa semana já tem uma tira nova, entrou ontem.

RB: O que você acha dessa nova fase do cinema nacional? Tem muita coisa boa ou é muito bafafá pra pouca coisa?

AS: Cara, esse negócio da retomada, tipo, é a retomada mais longa da história [riso geral]. Caralho, é uma retomada que não acaba nunca!

RB: É um início que não vai pro meio.

AS: Exatamente [riso geral]. É um início que, caralho, nunca chega a um patamar. É uma largada infinita. Mas, enfim, há coisas obviamente horripilantes que você já sabe que é uma bomba. Mas eu tenho visto coisas legais assim, tipo, que eu acho legal, tipo...

LC: Dá uns exemplos aí.

AS: O "Amarelo manga", que é um filme bem mais antigo.

LC: "Amarelo manga" é massa.

AS: Tem um cara daqui que eu gosto, o Belmonte, que fez o filme "Subterrâneos" que eu achei bem interessante e tal.

RB: Mas e os top hits do cinema nacional, tu viu? "Carandiru" e...

AS: Cara, "Carandiru" eu vi e achei constrangedor. Assim, muito ruim. Tipo, os caras conseguiram fazer uma novela com um assunto que é muito...

LM: E o livro é do caralho. Podia fazer um documentário em vez de ter feito aquela merda.

AS: Porra, aqueles caras lá na cozinha cantando. Caralho, que cena de merda aquela!

LM: Tu viu "O prisioneiro da grade de ferro"?

AS: Pô, esse filme é do caralho. O Paulo Sacramento, né?

LM: Acho que ali foi a única coisa que ficou mais próxima do "Estação Carandiru".

AS: Pô, exatamente, aquilo ali é foda. Muito bom. Bom, tem o Paulo Sacramento, tem o Belmonte, tem o Claudião [o direto Cláudio Assis de "Amarelo manga"] tem o cara que fez o "Madame Satã", achei legal também. É o Karim, né? O Marcelo Gomes, "Cinema, aspirinas e urubus" e tal. Tem um pessoal aí que certamente não são os que têm mais facilidade para fazer os filmes.

LM: Quase que independentes e tal.

AS: Quase independentes, né? Mas na verdade todo mundo tem que depender de um fomento, né? Mas, enfim, esse pessoal aí eu acho que tá mandando brasa. Mas tem esses...tipo, Cacá Diegues. Pô, o cara...

LM: Não morre, né [risos]?

AS: Esse cara é uma coisa bizarra. Esse cara não tem amigos, um amigo que fale pra ele "porra, Cacá, teus últimos 20 filmes são uma merda! Se aposenta!" [riso geral]. Tipo, dá uma vergonha isso, cara.

RB: Tem algum longa-metragem na agenda da Toscographics?

AS: A gente tá na pré-produção de um longa chamado "De mão em mão", um longa de animação. Não é a vida do Zéfiro, mas é inspirado na história do Carlos Zéfiro. É um cara dos anos 60 que...

RB: Das revistinhas de sacanagem.

AS: ...tem uma vida dupla e tal. É um funcionário público, mas faz uns gibis de sacanagem e a mulher dele é super carola. Então tem um conflito ali. Esse filme a gente começou a produzir agora e vai atrás da grana. Mas acho que vai demorar um pouco mesmo.

LI: Tem esse filme "De mão em mão" mas tem o filme do Pereio também.

AS: É, o do Pereio: "Pereio, eu te odeio". Tem material pra caralho, eu quero ver se eu termino ele nem que seja pra lançar no Youtube, cara. Mas nunca entrou uma grana para eu sentar a bunda e editar esse filme e lançar. Nunca! BNDES, essa bosta...pô, bizarro, cara! Um documentário sobre o Pereio, tipo, tem coisa que tá muito boa. Mas, enfim, eu vou terminar esse filme. Esse ano não passa, assim, certamente.

RB: Como é teu esquema de trabalho? Você é disciplinado, acorda todo dia de manhã pra produzir? Ou toca o foda-se e depois vira madrugada pra cumprir os prazos?

AS: Cara, antigamente eu gostava de trabalhar na madrugada, assim, de trabalhar até umas 4, 5 da manhã. Não toca telefone, não tem ninguém enchendo o saco, é o melhor horário. Mas, atualmente, eu tenho uma puta insônia, eu acordo umas 7 da manhã e vou fazer alguma coisa e começo a trabalhar cedo. Mas não sou nada disciplinado. Eu tenho minha agenda e tal, eu sei que tenho que fazer algumas coisas na semana, tenho que entregar isso, entregar aquilo e tal. Mas não sou uma pessoa tipo, terça-feira eu faço tiras para não sei o quê, quinta-feira é o dia do cartum para...não, é tudo caótico assim. Mas todo dia eu me levanto e vou no meu estúdio e trabalho.

LC: Além da equipe da "F", da Tosco e tal, quem mais você acha que está mandando bem nos quadrinhos e na animação nacional atualmente?

AS: Pô, em quadrinho tem um cara relativamente novo, o Rafael Sica, que eu acho esse cara destruidor. O desenho dele é difícil você saber de onde saiu aquilo. Geralmente você vê logo a referência ali, né? Tipo, o meu desenho você sabe onde é que saiu, o Adão...mas o Sica é uma coisa bizarra ali, eu não sei o que é aquilo. Acho um cara com muita personalidade, um tipo de humor muito foda, muito peculiar, muito dele e tal. A Chiquinha eu acho do caralho, toscona e tal. É um humor de mulher mas não é mulherzinha, né? É um humor de mulher bagaceiro, faz merda, se fode e tal. E tem também um cara chamado Mélios. É daqui, não é?

LC: Tô por fora.

AS: Ele tem um traço muito foda e um texto bom pra caralho também. Tem um cara de Curitiba que eu acho muito foda também, o RHS. Esse cara é foda.

RB: Aqui em Brasília é cheio de artista plástico pós-moderno e pós graduado, ator performático, diretor de teatro cult que ninguém entende porra nenhuma da peça, esse tipo de gente. Que mensagem edificante você gostaria de mandar para essa corja?

AS: Sei lá, não me convidem [riso geral]. Não me mandem convites.

RB: Ótimo!

LC: Pra fechar, dá um palhinha pra gente sobre os seus próximos projetos.

AS: Bom, tem esse aí que eu falei do "De mão em mão", que é um longa. Eu comecei a fazer um curta novo chamado "Animadores". Eu estou trabalhando online e a equipe é toda em São Paulo...e eu só trato por e-mail com os caras. Eu mando os layouts e eles me mandam os esboços e eu "é assim, é assado, mais assim" e eles me mandam de volta. É a melhor coisa que eu já fiz na vida! Eu não vejo ninguém [riso geral], eles são pagos, o trabalho é feito rápido, é sensacional. Não tem aquele cheiro de homem, aquela coisa horrível. E esse filme é meio atípico, não tem diálogo nenhum, geralmente todos os filmes da Tosco têm muito texto, né? Esse não tem nenhum diálogo e é preto-e-branco. É sobre animadores de peça infantil chamado "animadores". Deve ficar pronto no fim do ano.

LI: E o "Mondo bizarro"? Esse projeto...

AS: Cara, isso aí era umas tiras que eu fiz, assim, uma série, que eu cheguei a escrever várias sinopses para uma série de TV, né? Mas o Negão Bola Oito também é outro projeto aí. Agora o Canal Brasil sinalizou uma possibilidade de rolar uma micro série de o Negão Bola Oito entrar em inserções de 2 minutos dentro de um programa lá. Tipo, a gente tá negociando lá uns 30 pequenos episódios desses dentro de um programa do Canal Brasil mas a gente não fechou nada, que seria o "Negão Bola Oito talk-show".

LM: E a Cartoon Network, aquele esquema lá da Adult Swim [programa da Cartoon Network com desenhos para adultos]?

AS: Rolou uma adaptação de tiras do Caco, do Adão, do Laerte, que ficaram ótimas! Se tinha um lugar que eu queria estar trampando era nesse Adult Swim, acho foda assim.

RB: É a tua cara.

AS: Aquele advogado Harvey eu acho muito foda. E aquela série que eles meio que remontaram, como é que é?

LM: "Laboratório Submarino 2020".

AS: Aquilo é muito engraçado, realmente foda.

LC: Dentro da linha das mensagens edificantes, você tem alguma mensagem para mandar para a MTV depois daquela polêmica com "Deus é pai"?

AS: Cara, a MTV...[risos] o que eu vou falar da MTV? Na verdade, esse negócio da MTV eles inventaram uma profissão que não existe que é o VJ, entendeu? VJ, cara [risos]...VJ é a profissão mais inútil do mundo. É o cara que apresenta clipe! Clipe já é uma coisa que não precisava existir, já existe a música, aí os caras inventaram o clipe. Aí invetaram alguém pra apresentar o clipe [risos]. Aí, no fim, vai ter alguém pra apresentar o VJ que vai apresentar o clipe, que é da música!

LC: Na verdade o DJ interfere na música. Agora o VJ, não. Ele vira e fala "agora vai passar esse clipe, galera".

AS: DJ dá pra entender, mas VJ eu não entendo. Eu acho uma função bizarra, inútil.


Autógrafo do Allan. "A gente ganha pouco e não se diverte"

terça-feira, 15 de agosto de 2006

"Tiririca" arromba mulher em Brasília




Texto enviado por Maicon Naite


Para mim, a matéria seria muito mais apropriada se tivesse sido publicada no jornal "Na Polícia e nas Ruas" (para quem não sabe, esse é um jornal espirra-sange de muita qualidade aqui de Brasília): A maldição do Tiririca - "Florentina de Jesus" foi literalmente "arrombada".

Um cidadão (se é que podemos classificá-lo assim), vai "estrear" em Brasília a mais nova lei contra a violência doméstica, sancionada pelo Presidente Lula, depois de introduzir no orifício vaginal de sua parceira o cano de um calibre 38, e disparando em seguida. O crime aconteceu num núcleo rural em Vicente Pires, conhecido como um dos lugares mais pobres e violentos de Brasília. O bom é que o cidadão estava tão mamado no dia do crime que a polícia não teve condições de interrogá-lo. A alegação do criminoso foi a de que estava sendo traído.

Pergunta (prá lá de cretina): Se o Tiririca estivesse em condições de fazer uma piadinha tosca (se é que não fez) à sua mulher pouco antes do disparo, qual teria sido ela?

Fonte: Jornal de Brasília

E realmente, O MUNDO É DARK, MUITO DARK.

MOMENTO MEIA-BOMBA - o novo filme da Rita Cadillac



Sempre achei filme pornô nacional um lixo. Eu juro que já tentei achar alguma qualidade nesses filmes, mas isso é uma tarefa penosa. A única coisa que eu vejo em pornô nacional é um amontoado de tosquices, como:

1) Mulheres raimundas.

2) Atores com pinta de pedreiro em final de obra que brocham no meio da cena.

3) Gemidos forçados e histéricos - o curioso é que até os homens forçam a barra nos gemidos ("UHHHHHHHH, GOSTOSAAAAA!!!"; "VOU GOZAAARRRR, CARALHOOOOOO!!!!").

4) Cenários toscos - o mais comum é o filme ser rodado em algum motel de 8ª categoria ou na chácara do diretor (em alguns filmes o cavalo da chácara também "atua").

5) Trilha sonora de Atari.


Quem curte esses filmes é normalmente aquele pedra que está pouco se importanto para a qualidade e só quer ver pau entrando em boca, buceta e cu (nem sempre nessa ordem).

Apesar de todas essas edificantes qualidades, fiquei curioso para ver o novo filme da Rita Cadillac. A mulher é famosa e iria transar pela primeira vez com uma mulher. O filme prometia, não? Pois é, prometia...

Baixei na net apenas a primeira cena do filme e já desisti de baixar as outras. Nessa cena temos a tal transa lésbica da Rita Cadillac com a Lana Starck e, em tese, seria a melhor cena do filme (oh, Deus!). A Lana faz praticamente tudo sozinha: beija, lambe, cospe, se esfrega na Rita, fala putaria, enfia o dedo, anda pelas paredes e tudo mais. A Rita, por outro lado, só fica parada de olho fechado deixando a coisa acontecer. Para não dizer que a Rita fez papel de boneca inflável, ela lambe o peito da Lana em um determinado momento. E só. Logo na sequência entra um clone do Alexandre Frota para um ménage com as duas. A transa que rola não é grande coisa e, como não poderia deixar de ser, o cara fica meia-bomba no meio da cena (releia o item "2" lá do começo) e goza nas duas batendo punheta. Mais "padrão" que isso é impossível.

Nem vou entrar no mérito de dizer que eu acho a Rita raimunda, pois isso vai do gosto de cada um. O que me encuca é que a mulher não demonstra NENHUM tesão em cena. Ela finge muito mal e geme como se fosse uma bêbada em trabalho de parto. O engraçado dessa história toda é que ela ganhou 500.000 reais para fazer esses filmes soníferos! É de lascar.

Quem quiser baixar essa tosqueira, entre no site do Dedada Digital (é um dos últimos posts).

Reinaldo Bruto

domingo, 13 de agosto de 2006

BULDOZER ENTREVISTA ALLAN SIEBER - parte 3

Legenda para ignorantes:

LC: Leo Corba
RB: Reinaldo Bruto
AS: Allan Sieber
LM: Lauro Montana
LI: Lima

RB: O que você acha dessas tribos urbanas do século XXI? Tipo indie, emo e tal?

AS: Foda que todas essas tribos são meio patrocinadas, assim, todas essas tribos moram com os pais e então são umas tribos meio de merda. Pô, pelo menos os hippies ... quer dizer, grande parte dos hippies morava com os pais também, mas alguns, sei lá, iam morar no meio do mato, fundavam uma comunidade, e os punks também, invadiam uma casa, iam fazer um squat e tal. Mas essas tribos de hoje em dia eu acho tudo meio bunda mole, não sei, eu também não estou muito por dentro.

LM: Tu não acha que foi criação de pai hippie não? Os hippies viraram pais, tiveram que trabalhar e ficaram com toda aquela psicologia de Secos e Molhados, de liberdade...

AS: É, tem aquela coisa clássica dos filhos serem sempre contra os pais, né?

LM: Cara, porque meu pai era milico, minha mãe mulher de milico...

AS: Acho que a melhor questão é uma questão conservadora, assim, você ter alguma coisa para se revoltar, uma coisa legal para se revoltar.

LM: Então teu pai deve ter sido da TFP, e tal...

AS: Meu pai era super, ultra rígido, assim. Eu acredito piamente que uma personalidade se constrói com pequenos traumas, né, tapas e socos!

LM: Nada como uma boa porrada para libertar o instinto criativo [risos].

RB: Allan, em muitas tiras você retrata alguma mulher escrota, fedida, que regula demais, xarope, etc. Já pegou muita mulher desse tipo na vida?

AS: Cara, eventualmente você, caindo na noite, cruza com diversos tipos de pessoas [risos]. Realmente não é a regra, mas, enfim, como diz um amigo meu, se você está na chuva é pra se queimar. É a sensação clássica do Vicente Mateus. [risos]

RB: E falando de mulher ainda: é o seu último dia de vida e você pode escolher uma mulher pra sua última foda. Quem seria? Qualquer uma, à vontade.

AS: Qualquer uma? Vamos ver...eu tinha uma obsessão por aquela japonesa que apresentava os desenhos lá na Globo...Suzuki, uma mina assim...acho que agora tá no Multishow.

RB: Daniela Suzuki. Seria ela?

AS: É, tinha um tempo que eu era meio obcecado por essa garota, acho que eu escolheria ela.

RB: Aí, continuando na putaria, todo artista tem tendência a ter um comportamento sexual esquisito: o Laerte se diz bi, o Crumb tem tara em pés. Mas e você? Também curte umas bizarrices ou fica só no papai-e-mamãe com Wando de trilha sonora?

AS: Cara, tipo, esse negócio da bizarrice depende muito de quem vê, né? [risos] Uma coisa bizarra pra mim pra você pode ser normal, uma coisa bizarra pra você, pô, pra mim rola todo dia, então é muito relativo. Tem coisas realmente bizarras, tipo comer merda, umas coisas que realmente não estão nos meus planos. Mas, enfim, acho que depende do acordo mútuo ali, das pessoas que estão envolvidas, nada é bizarro.

LC: Cara, que fixação é essa em anão besuntado?

AS: Anão besuntado...não, isso aí é coisa de um amigo meu, o Azeli, um desenhista gaúcho que agora mora em São Paulo, essa cara que veio com essa idéia. Sempre tinha uma história bizarra com um anão, sei lá, tava numa festa e um anão bolinou ele [risos], uma história envolvendo uma anão, e ele falava essa coisa do anão besuntado, "vamos fazer uma festa com anões besuntados" e tal. Então na verdade é uma, é...

RB:Tu pegou a piada dele.

AS: É, eu peguei a piada dele. Mas eu acho engraçado isso, anão besuntado.

RB: E você já esteve em Brasília antes? O que achou dessa merda?

AS: Cara, eu tive em Brasília só uma vez , em 99, quando "Deus é Pai" tava no Festival de Cinema.

LI: É, aí você teve lá na calourada da UnB, lembro que a gente encontrou contigo lá.

AS: Podicrê, eu fui pra vários lugares!

RB: Mas aí, tu curtiu Brasília ou...?

AS: Achei divertidíssimo, muito divertido, me diverti muito.

LM: Pra visitante sempre é bom, né?

AS: É, deve ser tipo Porto Alegre, pra visitar é ótimo, mas pra morar lá...

RB: Aí fica deprê.

AS: É complicado.

LI: Qual que era a revista, eu lembro que era muito engraçado, tinha um desenho do Ayrton Senna com o capacete quebrado?

AS: Era uma revista que eu fazia, chamada "Glória, Glória, Aleluia", era um zine, depois teve uns números mais como revista.

LI: Esse foi seu primeiro trabalho que saiu nacional?

AS: "Nacional" entre aspas, né? Eu fazia uma distribuição muito vagabunda, acho que eu cheguei a mandar pra Brasília, aqui.

LI: Eu achei em banca, o "Glória, Glória, Aleluia"

AS: [espantado] É mesmo, cara?! Ah, é porque teve uma época que eu acho que eu mandei uns pra comics, e eles tinham uma distribuidora, ou passavam pra outros caras que distribuíam em banca normal. Mas o "Glória, Glória" teve quatro números, assim, e era meu, dois saíram num ano, e aí demorou mais um ano pra sair outra, depois dois anos pra sair mais outra, deu os quatro.

LM: Uma coisa que eu percebi, assim, quando era moleque, no final da década de 80, é que revistas assim como Animal, Chiclete com Banana, a Circo...principalmente a Animal, que era uma revista que conseguiu assim integrar grandes artistas, principalmente da América Latina, europeus, independentes, foi uma revista que teve uma projeção filha da puta naquela época.

AS: A Animal, pro pessoal da minha geração, junto com a Chiclete, foi pai e mãe.

LM: Eu pensava, na década de 80, que a tendência era a parada estourar e no futuro revistas como Animal, e outras do mesmo porte, tivessem mais, fossem publicadas, e foi uma coisa que a gente não viu. E a gente já tá no começo do século XXI.

AS: Isso se deveu, acho, que a princípio às milhares de crises econômicas. Fudeu tudo, assim. Aí depois dessa limada no começo dos anos 90, não houve muita iniciativa das editoras, mesmo, de retomar essa história de revista formato mix, com vários autores, uns gringos, uns brasileiros, e tal. Que é uma coisa que a gente fazendo a "F" queria retomar, também disso, e tal, de ter uma revista na banca, mesmo, com vários autores, e de humor, né? Mas não sei, né? É que a banca hoje em dia é foda, é difícil você encontrar uma coisa na banca. Tipo, é bizarro, tem revista de cabelo curto; revista de cabelo ondulado; revista de cachorro grande, cachorro pequeno; peixe; caralho, tem revista de pneu, cara! É impossível você achar uma revista! Não, sério, é impossível, cara. Se não for um negócio tipo uma Playboy, uma Veja, você não acha a revista.

LC: Porque fica tudo encavalado, né?

AS: É! E tem DVD, caralho, difícil você achar um negócio, cara.

Continua...

BULDOZER NO ORKUT

Nossa leitora Amanda criou uma comunidade para congregar os fãs das pedreiras aqui da área:

Eu leio o Buldozer todo dia!

Ficou bem legal. Valeu, Amanda!

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

BULDOZER ENTREVISTA ALLAN SIEBER - parte 2




Legenda para ignorantes:

LC: Leo Corba
RB: Reinaldo Bruto
AS: Allan Sieber
LM: Lauro Montana
LI: Lima


LC: Tem umas tiras tuas que a gente nota que você muda propositadamente o estilo do traço, faz um lance mais seco, com a pena mais fina, sem textura. Tem algum critério, alguma situação, algum tema que te norteia nessas tiras?

AS: Esse negócio de variar o traço eu...eu gosto. Quando eu comecei a desenhar, eu ainda gosto muito do trabalho do Fábio Zimbres que é um cara que tem...

[Lauro interrompe para dizer que conhece a irmã do Fabio Zimbres. Isso gera um papinho paralelo na mesa que eu não vou perder tempo transcrevendo]

AS: Mas, então, o que eu tava falando do Fábio. Pô, o Fábio é meio esquizofrênico, assim, né? Uma hora ele desenha com lápis dermatográfico, outra hora ele desenha com caneta BIC, outra hora ele desenha com pincel bem tosco e tal. Eu sempre curti isso aí, essa coisa de não ficar com um estilo carimbo, assim, que é uma coisa que eu curto também, sabe? Esses caras tipo Angeli, Laerte, que tem uma coisa ali que é quase um carimbo. Os caras têm o domínio completo, assim, e fecharam o estilo muito bem e eles ficam ali dentro, transitam ali. Mas eu, pô...tipo o Millor também, que é outro cara que desenha cada vez...

[Lima interrompe para falar do estilo do Fábio Zimbres. Isso gera uma conversa paralela entre ele e Allan]

AS: Então, na real, vem dessa coisa de propositalmente não me prender, não ficar me policiando. Tipo "não, vou desenhar tudo com pincel!" ou "vou desenhar tudo com caneta!" e tal. E também é tipo...tem tira que eu desenho deitado na cama, sem saco, com a caneta que tiver na mão. Aí outras eu estou com mais saco, eu faço com pincel e tal. Não é uma coisa muito previsível.

LC: Por que você não ataca esse filão da charge política, tipo zoar Lula, Alckmin, Garotinho, essa porra toda?

AS: Cara, na verdade eu tenho assim um asco muito grande por política. Nunca votei na vida, nunca fui votar. Em 99 eu precisei tirar o meu passaporte lá e eu paguei 10 reais de multa. Idiota. Depois disso nunca mais votei [risos]. Eu nunca fui lá votar e não pretendo ir. Isso não é tipo levantar uma bandeira "não votem, votem nulo". Não, eu acho que as pessoas têm que votar e de preferência em alguém realmente decente. Mas eu não tenho estômago de acompanhar essa coisa, esses meandros da política e...e eu acho esquisito alguém se outorgar a essa missão de, tipo, "eu vou ser um vereador" ou "eu vou ser um prefeito, eu vou por ordem na sociedade!", eu acho isso uma coisa muito esquisita, uma pretensão meio bizarra. Mas, enfim, é o único jeito que se conhece de organizar a sociedade, a democracia, mas eu particularmente não voto. Faço questão de não me interarar muito em termos de notícia e tal.

RB: Dá para perceber que você pega leve em "Vida de estagiário". Existe alguma pressão da Folha para você maneirar ou isso parte de você mesmo?

AS: Não, na verdade é meio que um acordo tácito. A Folha é um jornal de circulação grande e o Folhateen é um caderno para adolescentes. Então, obviamente, você sabe que estando ali você está dentro de alguns limites, né? Não que alguém vai me falar "pô, você não pode fazer isso!", mas é um acordo tácito ali. Então você tem que maneirar, não pode fazer coisas muito escatológicas, sexualmente agressivas e tal. Mas não é uma coisa que me incomode, eu basicamente entro em outra frequência e tento transitar dentro daquela coisa ali, entendeu? Sem fazer uma coisa cuzona também, assim, tipo Miguel Paiva. Eu tento fazer a coisa mais honesta possível, dentro do que dá pra fazer.

LC: Vocês estão sempre zoando que quadrinista vive duro, caixa de papelão e não sei o quê. Mas, na real, como está o retorno dessa profissão?

AS: Cara, eu posso falar por mim. Eu, na verdade, a minha grana sai do estúdio de animação. Sai da Toscographics, lá do que a gente faz, o que a gente ganha com nossos projetos, com nossos curtas de animação, o que a gente ganha com publicidade, que a gente faz bem pouco, mas, enfim...coisa pra Globo, plim-plim e tal. É isso aí que eu ganho a minha grana. Ganho grana de quadrinho lá da Folha, da Sexy, agora Playboy e Trip. Mas, se eu não tivesse animação ia ser uma coisa meio complicada, né? Na verdade o pessoal tem um cultura de pagar muito mal, assim, quadrinhos e tal. E mesmo os próprios quadrinistas ficaram numa posição de coitadinhos assim "não, é, é só isso aí mesmo"...

RB: Aproveitando o gancho, tu tem algum projeto para desenhar aquela parada das Havaianas Cartunistas [aquelas Havaianas com desenhos de cartunistas famosos]?

AS: Não, cara. Isso aí foram os caras lá do marketing das Havaianas que escolheram, acho que é o Angeli, Adão, Caco e o...

LC: Glauco.

AS: ...Caco, Glauco e tem outro. Ah, o Gonzalez! Não me chamaram pra isso aí, mas eu adoraria fazer, tranquilo.

RB: Eu comprava [risos].

AS: Agora eles estão fazendo outro, de Carnaval e tal. O Adão me mostrou lá, sensacional.

LC: Parece que todo o humor do Brasil está concentrado no Rio de Janeiro. Vocês da "F" têm relação com a galera do Cocadaboa, do Casseta & Planeta e tal?

AS: A gente é super amigo do Wagner, que é o mentor lá do Cocadaboa, mas agora ele se mudou para São Paulo.

LC: Ah, é?

AS: Ele tá em São Paulo há, sei lá, alguns meses. A gente troca idéia e tal. O pessoal do Casseta eu conheço superficialmente, sei lá, o Reinaldo, o Hubert, o Cláudio Manoel e tal, mas não sou exatamente íntimo. Mas o Rio tem muita gente boa...tem aquela coisa do Pasquim, do Jaguar, do Nani, do Fausto Wolf e Millor, que é o gênio dos gênios. Eu gosto muito de morar no Rio, acho uma cidade muito boa pra fazer humor.

RB: No Japão existem colecionadores que compram a pele de pessoas muito tatuadas para fazer abajur e outras coisas esquisitas. Por quanto você venderia a sua [nota: o Allan tem a pele toda tatuada]?

AS: Cara, eu vendo desde que não arranquem ela comigo vivo [riso geral]. Eu posso pensar num preço. Mas no Japão eles compram qualquer coisa, eles compram calcinha usada, né? Japoneses são safados.

RB: É, já vi esses sites aí [riso geral].

LC: Se você pudesse matar ou mandar matar 5 pessoas agora, quem seriam essas pessoas e por quê?

AS: É, esse lance de matar é meio complicado, porque aí você mata a pessoa que merece morrer mas aí, sei lá, ela tem filhos. Outras pessoas sofrem [riso geral].

LM: Tá, mas vamos te livrar da culpa, então. Quem você deseja que deveria morrer?

AS: Eu mataria, sei lá, pessoas realmente hediondas, assim, que eu me irrito muito, tipo o Gugu. Pô, o Gugu é nojento [riso geral]! O Luciano Huck, aquele cara, porra [risos]...aquele cara que faz o papagaio da Ana Maria Braga.

LM: Loro José.

AS: Aquele cara ganha 50 pau pra fazer aquele papagaio, eu acho isso muito...

LM: Tinha que morrer degolado por militantes muçulmanos no Iraque.

AS: Com certeza! Com direito a vídeo e tal. Sei lá, a própria Ana Maria Braga, eu acho isso nojento. Esse pessoal da televisão, os Vjs da MTV também, meu...

RB: Já passou de 5 pessoas.

AS: Pensei que era 25!

LC: Que tipo de som você curte? Que música faz a tua cabeça?

AS: Cara, eu tô sempre, sempre, ouvindo música pra trabalhar, senão eu não consigo trabalhar. Mas eu ouço...eu sou meio esquizofrênico, eu escuto muita coisa. Basicamente jazz, gosto muito de jazz até os anos 60, aquela coisa do bebop e tal. Gosto de punk, Ramones, Dead Kennedys, essas coisas. Rap também eu ouço. Na verdade eu gosto de bastante coisa. O funk carioca eu gosto, o Mr. Catra...eu ouço muita coisa.

RB: E qual sua opinião sobre o rock nacional atual? E sobre as bandas famosas aqui de Brasília?

AS: Eu na verdade não estou interado no cenário atual, mas o que eu vejo é tudo muito horripilante, muito horrível. Essas coisas, sei lá, Detonautas, Charlie Brown Jr., umas coisas ridículas [risos]. Umas coisas bizarras, é, tipo, eu não entendo como esse pessoal consegue ganhar dinheiro fazendo esse tipo de merda, mas, enfim, tem quem compre. Agora, realmente eu não estou muito interado, assim. Eu inclusive prefiro ouvir músicos já mortos e tal. Acho músico muito irritante, muito superestimado, eu prefiro ouvir os que já morreram [risos].

LI: Ninguém tem como estragar o trabalho deles.

AS: Exatamente. Eles não vão fazer nenhuma merda, não vão te decepcionar e tal.


Continua...

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

BULDOZER ENTREVISTA ALLAN SIEBER - parte 1




A entrevista com o Allan Sieber rendeu mais do que era esperado. A princípio queríamos fazer uma entrevista rápida, com apenas 15 perguntas e tchau. Mas, como o papo fluiu legal e o cara é super gente fina, esticamos a entrevista para 34 perguntas (!). O Allan respondeu todas as perguntas na moral, mandando bala em tudo e todos. Como a entrevista ficou bem grandinha, vamos dividí-la em 4 partes para o post não ficar gigantesco e não cansar as vistas de ninguém.

Legenda para ignorantes:

LC: Leo Corba
RB: Reinaldo Bruto
AS: Allan Sieber
LM: Lauro Montana
LI: Lima

LC: O "Santa de Casa" está longe de ser uma produção lo-fi, no estilo "Dogma 1,99", né?

AS: Não. É totalmente...bem animado, assim, sofisticado. Eu tentei trazer ele pra cá, mas na verdade eu esqueci!

LC: [risos] Ah, só.

AS: Eu cheguei a separar o DVDzinho lá, mas na correria eu esqueci. Eu queria passar na sessão...

LC: E como funciona essa transição aí? Porque "Deus é Pai" é do caralho mas é uma bagaceira, 16 quadros e tal, aí tu de repente vai pro "Santa de Casa" que é outro esquema. Como é que isso funciona no esquema da Tosco?

AS: Ah, é que, na real, a história do "Santa de Casa" foi na verdade o primeiro filme...é, o primeiro curta lá da Tosco, que não é um roteiro totalmente meu. Eu peguei uma história do Aldir Blanc, que é um cara que eu gosto muito e tal, é um puta cronista, e aí resolvi adaptar isso junto com um amigo meu, o Leonardo. A história é sobre carnaval no Rio e tal. Então tem blocos de carnaval, tem multidões de foliões, bares lotados, então realmente o filme pedia uma animação sofisticada, não tinha como fazer um negócio picareta, assim. Não que eu tenha, tipo "não, realmente é uma merda fazer filme pelo Dogma 1,99!". É que esse filme realmente...

LC: Não cabia, né?

AS: É, não cabia. Ia ficar ridículo. Tinha que ser realmente uma armação mais consistente. Que aí, puta, demorou horrores, demorou dois anos para ser feito, que eu acho ridículo. Dois anos pra fazer um curta é uma imbecilidade [risos].

LC: Tem algum plano da Tosco pra produzir um desenho do Capitão Presença? É que tá todo mundo falando disso.

AS: Cara, a gente tava falando com o Arnaldo esses dias aí. Pô, na real, se eu tivesse tempo eu produziria de bom grado junto com o Arnaldo, claro. Um piloto, alguma coisa do Capitão Presença que eu acho muito gênio, assim, um personagem muito...você viu o livro?

LC: Ô, é do caralho!

AS: Eu acompanhei o Arnaldo meio que montando a parada, mas eu só vi o trabalho todo pronto de cabo a rabo quando o livro saiu e, puta, não tinha lido nada e achei muito engraçado, assim. É realmente engraçado. Mesmo pra quem não é maconheiro nem nada. Se a Conrad investir, divulgar bem esse livro, pode virar um best-seller, né? Tem muito maconheiro [riso geral], o livro é bom...

LM: Mas você não tem acompanhado as vendagens?

AS: Do Arnaldo não tem como porque a gente só vai ter esse retorno daqui a dois meses. A Conrad acerta de três em três meses.

LM: Previamente tu não sabe se já vendeu pra caramba?

AS: Não, não. A Conrad pode ter essa noção por pedido de loja e tal, mas daí a ser vendido eu realmente não sei...

RB: Como é a tietagem de fã de quadrinhos? Acontece que nem na fotonovela da "F"#4? Ou só tem marmanjo atrás de ti?

AS: Cara, atrás de mim não tem ninguém [risos].

RB: Não foi nesse sentido a pergunta. A gente não pensou nessa babaquice...

LC: Finge que a pergunta é normal. Não tem nada dessa abordagem.

AS: Não, é verdade, não tem esse glamour aí, cara. Aquilo ali é o que dá pra chamar de uma ficção mesmo, né?

RB: Científica?

AS: É, quase científica. Pura fantasia. Na verdade o público de quadrinhos é horrível...

LC: Pô, valeu [risos]!

LM: Valeu!

AS: A maioria é homem...

LM: É nerd...

RB: É cara com pergunta imbecil...

AS: É, tipo isso. Subespécies [riso geral].

RB: Existe alguém ou um determinado assunto que você tem medo de zoar?

AS: Cara, tem coisas que obviamente você, hã...pô, sei lá, eu jamais faria umas piadas sacaneando Maomé, por exemplo, entendeu?

RB: Você quer ficar vivo, né?

AS: É, porque é uma coisa bem básica, assim, sei lá...

LM: Você não quer ficar tipo o Salman Rushdie, né, cara [risos]?

AS: ...não vou fazer uma piada com, sei lá, o Marcola sendo enrabado, entendeu? Tem umas coisas que realmente você, pô, você vai...

LC: Autopreservação mesmo.

AS: Autopreservação, né? O PCC, o islã, tem coisas que você realmente tem que pensar duas vezes. Mas, tirando essa coisa de segurança pessoal, eu não tenho nenhum medo de tirar sarro de religião, sexo, racismo e tal.

LC: Tem uma tira sua lá no "Preto no Branco" que você diz que alternativo é o caralho, que por grana você se vende e ainda passa a nota. Até que ponto isso é verdade?

AS: É bem verdade [riso geral]. É que, esse negócio de se vender, isso aí é muito clichê, é muito...é meio...não existe muito isso de se vender. Assim, sei lá, como se alguém fosse chegar pra mim e fosse falar "olha só, você agora vai ganhar muito dinheiro [risos], mas você vai ter que fazer, sei lá, uma turma concorrente da Mônica e do Cebolinha". Tipo, esse tipo de coisa não existe assim.

LC: Não acontece, né?

AS: Não acontece, entendeu?

LC: Se acontecesse era na hora, né?

AS: Não, eu não faria. Esse negócio de se vender é muito relativo. Agora, obviamente, pô, eu tenho uma produtora de animação lá no Rio. Obviamente eu faço muita coisa que não me agrada, que não é do meu estilo, tipo publicidade, umas coisas lá pra Globo e tal. Mas, enfim, é dinheiro, entendeu? Se isso é se vender...é um trabalho, não é uma coisa autoral, assim. Então eu faço qualquer coisa mesmo por dinheiro, não tenho nenhuma culpa nesse sentido.

LC: Perguntinha mais básica: como é que você, o Arnaldo e o Leo se conheceram? De onde veio a idéia de lançar uma revista demente?

AS: Cara, eu conheci o Leo assim de...ele fazia um zine chamado "Criptoris", isso em 90, sei lá, 94, 95...e aí a gente meio que se correspondia. Eu mandava uns zines lá pra ele no Rio, na época eu morava em Porto Alegre, e ele me mandava umas revistas lá. Aí, quando em fui morar no Rio em 99, a primeira pessoa que eu...quer dizer, a única pessoa que eu conhecia na verdade era o Leonardo. Aí cruzei com ele lá, a gente começou a trocar essa idéia de fazer uma revista e tal, uma coisa que não tinha na banca há muito tempo, tipo "Animal", "Chiclete com Banana" e tal. E aí por fim a gente conheceu o Arnaldo em 2003, assim, por acaso. Eu conhecia o blog dele e pagava pau, achava muito engraçado. E aí um dia ele apareceu com o Matias Maxx lá na Tosco. Caralho, eu não entendia muito bem o que ele falava, ele fala muito rápido, assim, fez uma cara de maloqueiro, camisa do Flamengo e tal [risos] . E eu, tipo, "quem é esse cara?" [risos]. Aí depois eu fui entender que ele era o Arnaldo. Eu disse "caralho, você é o Arnaldo!". E aí, com o Arnaldo virando nosso amigo aí a gente começou a falar sério mesmo sobre o negócio de fazer a revista, e , aí, no final de 2004, depois de quase 6 meses conseguindo uma editora e alguém que financiasse e blá, blá, blá, a gente lançou a "F" número 1.

RB: A "F" veio pra ficar? Como é que está o retorno da galera? Já deu pra comprar a sua cobertura na Barra?

AS: Cara, eu compraria uma cobertura no Leblon e tal. Nesse exato momento que as revistas foram recolhidas da banca, né? Essa "F" editada pela Conrad.

RB: Essa 4?

AS: Essa 4, é. Tinha aqui pra vender assim? Vocês encontravam em banca e tal?

LC: Em banca, não. Só na Kingdom [loja especializada em quadrinhos aqui de Brasília].

AS: Ah, é? Banca normal não tinha?

LI: Chegou depois em pouca banca. A distribuição da Conrad aqui é meio enrolada.

AS: Eu acho que nesse primeiro número eles priorizaram Rio e São Paulo, talvez, não sei. Mas engraçado, pô, tem gente em Fortaleza, BH...eu tava em Porto Alegre e fui numa banca obscura na puta que pariu e tinha uma "F" lá. É meio zoado, eu não sei. Mas, enfim, eu não sei se vendeu bem a "F". A idéia da Conrad é investir em três números e com uma tiragem boa, né? Tipo 30.000 e tal. Pô, as nossas tiragens, a [revista "F"] 1, 2 e 3 tinham, sei lá, variavam de 5 a 8 mil, que não cobre muita coisa, falando de uma coisa séria mesmo, né? Que tem pra vender nas bancas...e aí agora é ver, eles não tem nenhuma restrição quanto a conteúdo, eles deixam totalmente na nossa mão pra gente fazer.

RB: Então você não sabe muito bem como está a vendagem?

AS: Não, não sei.

RB: Você não tem esse controle, né?

AS: Não tenho. Eles nos repassam, mas eles não têm ainda pra nos repassar, entendeu? Eu tenho ouvido muita gente, assim, que não é do meio de quadrinho e tal que me falou "ah, eu vi uma revista; alguém me falou da sua revista" e tal. Não sei, acredito que talvez tenha ido bem. Espero que tenha ido bem.

LM: Mas no saldo bancário até agora...

AS: Não, até agora não. Eles pagam uma grana X lá pra gente produzir a revista, que isso aí não...a gente só paga os nossos colaboradores, o diagramador, o fotógrafo e tal. E a grana que a gente ganharia na banca, a porcentagem no preço de capa.

Continua...

terça-feira, 8 de agosto de 2006

BULDOZER ENTREVISTA ALLAN SIEBER
Prólogo

Como avisei antes, estivemos presentes no evento da FNAC de Brasília dedicado às animações de Allan Sieber. Lauro Montana e Lima fizeram a ponte para que pudéssemos oferecer ao nosso nada seleto público uma entrevista com o camarada, que rolou no café em frente à FNAC, no ParkShopping. Ali, Allan mostrou que não precisa de cerveja para ser o pedra-mor. Os entrevistadores foram Leo Corba, Reinaldo Bruto, Lauro Montana e Lima. Fotos de Wendel.

Como não somos retardados (acho), não gastamos o tempo do sujeito com perguntas imbecis como “onde você nasceu”, “como você aprendeu a desenhar”, “qual o seu signo” e merdas do tipo. Por outro lado, sabemos que boa parte do nosso público não faz a menor idéia de quem seja o cara. Assim, resolvi fazer um resuminho “for dummies” da vida e obra do Allan Sieber

BIOGRAFIA - retirada do site oficial, onde vocês podem curtir muitos cartuns toscos

Allan Sieber ( Porto Alegre , 1972) é autor de quadrinhos, cartunista e animador. De 1996 a 1997 publicou a tira Bifaland no Caderno Zap, do jornal O Estado de S. Paulo. Editou e desenhou de 1993 a 1997 a revista em quadrinhos Glória, Glória, Aleluia, premiada em 1996 e 1998 com o Troféu HQ-Mix, o "Oscar" dos quadrinhos brasileiros. Em 1998 recebeu também o Troféu HQ-Mix de Desenhista Revelação.Em julho de 1999 dirigiu e animou seu primeiro curta-metragem em 35 mm, "Deus É Pai", premiado em importantes festivais como o de Gramado e o Animamundi. Em junho de 2000, finalizou seu segundo curta-metragem em animação, "Os Idiotas Mesmo" e, em 2001, dirige seu terceiro curta em animação , " Onde Andará Petrucio Felker?, ambos sendo premiados e muito elogiados pela crítica. Em 2003 lançou seu primeiro curta-metragem em imagem real, "Jonas", premiado no Festival de Gramado e no Curta Santos.Em 2000, juntamente com Otto Guerra, Denise Garcia e Lica Stein fundou a produtora de desenhos animados Toscographics e cria a abertura e vinhetas para o programa Muvuca e animações para a série A Invenção do Brasil, ambos da Rede Globo.Em 2001 começa a publicar a série em quadrinhos "Vida de Estagiário" no caderno Folhateen. Em 2002, dirige as animações do filme "O Homem que Copiava" de Jorge Furtado.Allan Sieber já publicou seus trabalhos nas revistas Trip, Bundas, SET, Cybercomix, General, Superinteressante,General Visão, Velotrol, Lápiz Japonês (Argentina), Suelte-me! (Argentina), Comix 2000 (França), Complot (México),Vacuum (Finlandia), Cybercomix, Olho Mágico (Brasil/Argentina), Zona de Obras (Mexico) e nos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e Pasquim 21.Atualmente é colaborador fixo da revista Sexy e da Folha de S. Paulo.

UM POUCO MAIS SOBRE O SUJEITO:

1)MTV
Allan Sieber era um adventista fanático quando criança, o que, segundo ele mesmo, fodeu sua adolescência. Atualmente, não perde uma única oportunidade de zoar religiões e religiosos. Seu curta-metragem mais famoso, “Deus é Pai”, retrata Deus e Jesus como pai e filho em crise fazendo terapia familiar. Convidado pela MTV para fazer alguns curtas aproveitando a idéia, Sieber desenvolve mais dois epidódios: em “Zoando o Barraco”, Jesus aproveita que seu pai viajou para fazer uma festança no apê, regada a muito sexo, drogas e rock’n’roll; em “Regulando a Mesada”, Deus corta a mesada de Jesus, que tem que “se virar” para descolar uma grana. Os episódios provocaram forte reação da Igreja, o que fez a MTV retirá-los do ar sob o pretexto de não terem tido receptividade do público, mentira que enfureceu Sieber. Veja aqui alguns curtas da Toscographics.

2)FAMÍLIA
O pai de Allan Sieber era desenhista publicitário, e sempre detestou os garranchos que caracterizam o estilo tosco do filho.

3)REVISTA F.
Editada por Sieber com Arnaldo Branco e Leonardo, tem por proposta publicar o impublicável. Além de quadrinhos, apresenta fotonovelas toscas tendo os próprios autores como personagens, e entrevistas com camaradas polêmicos, como Fausto Wolff, Diogo Mainardi e Mr.Catra. É meio foda de achar em banca de jornal, mas vale a pena. Veja o site oficial.

4)FIXAÇÕES:
- Tatuagens
- Dobradinha em lata
- Anões besuntados
- Personagens cuti-cuti em situações pornográficas, como ursinhos de pelúcia levando dupla penetração anal
- Ódio de pseudointelectuais

5)MANIFESTO DOGMA 1,99
“Regras” estabelecidas por Allan Sieber para a produção de animações de baixo orçamento, algumas sérias, como trabalhar com equipe reduzida, e outras zoando, como a proibição de ter gente com curso superior na equipe. Veja aqui

6)PRETO NO BRANCO
Série de tiras publicadas na internet onde Allan Sieber dispara sua metralhadora giratória contra tudo e todos. Já viraram livro e em muito contribuíram para a atual fama de Sieber. Algumas das mais recentes podem ser conferidas no site da Tonto, e as outras na Folha de São Paulo.

É isso aí. Cliquem nos links (as palavras em azul, imbecil) e tenham uma amostra. A entrevista que fizemos ficou gigantesca, e vamos publicar à medida em que tivermos saco para degravar, até para os posts não ficarem grandes demais e desanimarem os semi-analfabetos que frequentam o Buldozer.


Allan Sieber e Lauro Montana