quinta-feira, 9 de novembro de 2006

TMS - Tráfico Management System - Parte 2






Bom, já que eu não teria saída, então o lance seria fazer uma aplicação de qualidade que atendesse totalmente as necessidades do meu cliente. Normalmente a gente idealiza umas soluções bem legais mas o cliente não tem grana para bancar tudo. Dinheiro não seria problema para eles, então resolvi inovar não só na aplicação mas também na solução de acesso e hardware.
Fiz o diagrama abaixo, imprimi e mandei chamar o Cebola para explicar o que eu tinha em mente. Chegaram o Cebola e alguns outros caras, a quem depois fui apresentado: Arroz (um negão de quase 2 metros de altura), Dedo (diminutivo de Dedo Nervoso) e Luizinho do Pó. Comecei então a apresentação:

- Então galera, todo mundo sabe que o mercado de drogas é algo bem dinâmico. A "equipe de vendas" por exemplo tem bastante mobilidade, então imaginei que cada um dos caras da boca poderiam usar um Smart Phone onde poderia acessar o sistema.

- Ismarti o que? Que porra é essa? - Perguntou o Luizinho.

- Smart Phone. É tipo um celular, só que tem umas frescuras a mais, tipo parece um computador também.

- Ah só, deve parecer com o meu Palm! - Disse o Dedo enquanto tirava do bolso um Palm-Top de última geração.

- Isso, é tipo um lance assim.

- Não interrompe o cara, porra. Vai lá mano, continua com sua idéia. - Gritou o Cebola.

- Beleza. Então, daí a galera pode andar pelo morro inteiro e continuar acessando o sistema. Para o bagulho todo funcionar, vai rolar um certo investimento. Tipo, pensei em montar uma salinha com alguns servidores e disponibilizar o programa para o morro todo montando uma rede sem fio. Tá ligado?

- Firmeza. Tô me amarrando, continua.

- Então, daí você poderia ficar no seu barraco lá, com seu notebook na boa acompanhando o movimento. Além disso, através de um celular com acesso à Internet, a galera lá do presídio pode acompanhar tudo também. Olha só, fiz um diagrama para explicar o que eu pensei.





- Porra cara, que doido! Vamos fazer sim. Caralho, nego das outras bocas vão dizer: "aí, sabe o Cebola? Porra, aquele é um cara de vanguarda mesmo".

- Cebola, não quero ser chato não mas, como é que a gente vai colocar Internet aqui no morro para os caras de fora entrarem no esquema? - Interrompeu de novo o Dedo.

- Ah já pensei nisso. Vocês podem usar alguma empresa aqui perto como fachada. Aposto que o pessoal da comunidade vai querer colaborar.

- Ok, mas e como será a segurança? - De novo o Dedo.

- Não se preocupe, vai rolar uns esquemas sinistros, tipo Firewall, essas paradas todas.

Então os caras começaram a rir, sem parar. Não entendi nada de começo, até que o Cebola falou:
- Hahaha, Firewall. Porra, Firewall é o nome de um chegado nosso aqui do morro.

- Firewall? Porque esse nome?

- Ah, é porque se nego tentar entrar aqui sem autorização, ele bloqueia e mete bala. Hahahaha.

- Só (caralho, onde fui me meter!). E aí, curtiram a parada?

- Beleza, só mais uma coisa: nesses computadores aí eu quero todos os programas originais, beleza? Tenho medo pra caralho de ser preso por pirataria.

- Ok, combinado. Expliquei depois para eles o que eu imaginaria sobre a aplicação em si. Teria primeiro uma parte de cadastro básica com fornecedores, traficantes, armas, tipos de drogas vendidas, policiais (com a opção de dizer se o cara é aliado ou inimigo).

Teria também uma parte de estoque, com quanto de cada droga foi vendida, quanto está prometido chegar, quanto tem guardado, etc. Aliado ao estoque terá o módulo de vendas, com um recurso adicional de controle de inadimplentes. Se o cara não pagar, receberá automaticamente um e-mail cobrando gentilmente que acerte sua dívida. Após o terceiro e-mail, o pessoal da equipe de cobrança será acionado para dar baixa no cliente caloteiro.

No módulo financeiro, além de controlar o custo da droga, vai ter uma parte especial de folha de pagamento, incluindo as propinas pagas aos policiais corruptos, políticos, etc. Aliado a isso o sistema terá vários relatórios e gráficos que ajudarão na administração do negócio.

Por fim, pensei em fazer uma parte aberta aos jovens da região, com jogos, videos e dicas para ajudar a formar novos talentos e manter a equipe operacional sempre em crescimento.

Acertado tudo, recebi meus 10% adiantado e comecei a mandar bala (sem trocadilhos) no projeto. Comecei também a providenciar a compra dos equipamentos da infra-estrutura, tudo financiado pelo Cebola, claro.

Continua (se eu não morrer antes) ...

Mustache Rider