segunda-feira, 16 de outubro de 2006

27º Bienal Internacional de Pseudo-Intelectuais





Que merda. Na sexta-feira passada (13/10), aproveitando que emendei o feriado, achei que iria ficar em casa sem fazer porra nenhuma apenas vendo uns filmes, coçando o saco, enchendo meu corpo de gorduras e outras coisas do tipo que gordos como eu adoram fazer. Grande engano! Minha esposa veio então com a idéia:

- Vamos dar uma passadinha da Bienal hoje?
- Bienal? Putz, que saco!
- Ah, vamos lá. Esse ano deve ter alguma coisa legal. E, além do mais, é de graça.

É impressionante como nossas mulheres nos conhecem. Ela sabia que a expressão “de graça” seria algo que me moveria do sofá para dentro do carro e de lá para a famigerada Bienal de “arte”. A outra expressão que completou essa infeliz iniciativa foi: “Vamos logo, levanta daí porra!”

Eu sempre digo que quando você faz algo que não gosta deve procurar motivos implícitos para querer fazer aquela coisa. No meu caso pensei que poderia rolar na entrada um cachorro-quente e umas cervas. Com toda essa “animação” e esse motivo adicional lá fui eu com destino a uma sexta-feira que nasceu perfeita e tinha tudo para terminar em desgraça.

Quem me conhece sabe que a coisa que eu mais odeio é pseudo-intelectualismo (que neste texto vamos chamar apenas de “pseudismo”). Para quem não sabe do que se trata esse doentio e pederasta comportamento, o pseudismo é o ato de tentar parecer inteligente, complexo e sofisticado tendo como isso o principal objetivo de suas atitudes. O maior exemplo desse bizarro e detestável “movimento” é a besta estúpida que deveria estar morta chamada Arnaldo Antunes. Aquele filho da puta de aparência aidética é um merda que a única razão de viver é fazer letras de música ridículas e sem sentido para que as pessoas achem inteligente. Ele não quer passar uma mensagem, fazer uma música boa ou qualquer outra coisa que não seja provocar a reação de admiração nos idiotas que acham que ele possui mais do que três neurônios no corpo. Ele deve ter um gerador de palavras desconexas no computador para compor aquelas merdas a que ele tem a audácia de dar o nome de música. Só de lembrar desse verme já fiquei com vontade de matar alguém.

Bem, vamos voltar à maldita Bienal que foi, como em todas as edições, realizada no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera em São Paulo. Para quem nunca foi à Bienal (e não perde nada), o ambiente é formado por três grupos específicos de pessoas: pseudo-intelectuais, sejam eles ativos – autores das merdas expostas, ou passivos – aqueles que gostam dos “trabalhos” expostos; gente que não tem nada para fazer, como uma família que passava perto e resolveu entrar porque é de graça; e aquelas pessoas que foram, como eu, obrigadas a ir. Uma Bienal é por definição um ambiente predominantemente gay e existe uma regra imutável a este respeito: na Bienal, todo homem acompanhado de outro homem é viado, todo homem sozinho é viado e 75% dos homens acompanhados de mulheres são viados também. Os 25% que restam são pessoas que estão ali contra sua vontade e variam suas expressões faciais entre ficar puto com o que vê, ficar de saco cheio e rir das merdas que são expostas. Se alguém passar também mais de 5 minutos olhando alguma obra, ou é viado ou é pseudo ou as duas coisas.



Mulher pseuda que de tanta plástica parecia a mãe do Coringa


Desde muitos anos existe uma bosta de “movimento” conceitual na arte onde o que se faz não tem a menor importância, o que vale é o que aquilo significa; ou melhor, a explicação que se inventa para tal. Convivi por meio de uma namorada que tive nesse “meio” por um tempo e entendi como esse “processo criativo” (?) acontece: o viado faz qualquer merda (às vezes é literalmente fezes misturado com algo) e depois fica um tempão pensando: “que porra é essa que eu fiz?” até encontrar uma explicação qualquer e colocar aquilo em um papel. Presenciei por exemplo um colega da “falecida” que fez uma caixa de madeira com um olho mágico em cada face. Ele mostrou para todo mundo e os amigos ficaram pensando em uma explicaçao até que o espírito de uma bicha louca baixou no sujeito e ele começou: “essa obra remete a busca do homem pelo seu interior, onde em cada face olhamos para o lado negro contido em nosso interior ... blá blá blá”.

Porra, usou a palavra “remete” nem precisa ler o resto: é pseudo. Aliás, esse exemplo mostra bem o que é o pseudo-intelectualismo: o “artista” (ou autista) faz alguma merda e só depois pensa no que ele quis dizer com aquilo. Isso é consequência da falta de talento existente hoje em dia e da liberdade onde qualquer idiota pode defecar sobre uma lona com frases escritas sem nexo e chamar essa porra de arte.

Essa bienal então foi a pior de todas (é a quarta-vez que eu vou). Nem minha esposa teve saco para ficar muito tempo. Normalmente se gasta o dia inteiro no local, mas chegamos às 11:00 e por volta de 13:30 já estávamos saindo (aleluia!). Haviam apenas alguns trabalhos legais, como uma maquete feita de açúcar e uma exposição de fotos onde você poderia aprender como revelar fotos P&B (eu preferi não arriscar entrar em uma câmara escura com um estagiário pra lá de afeminado). Foi ridículo também ver alguns pseudos anotando as explicações dos lixos em seus caderninhos e uns viadinhos que ficavam tentando explicar as obras sob seu próprio ponto-de-vista.



Maquete de cidade feita de açúcar. Eu que sou gordo gostei


As piores merdas dessa Bienal foram as vídeo-instalações. Tudo uma merda. Uma mostrava apenas uma estrada com carros passando e um cara caminhando no acostamento, outra uma gota d’água caindo e por aí vai, nada interessante, nada que chocasse, nada que fizesse as pessoas pensarem, nada disso! Eu sei que a arte não tem esse papel e nem quero aqui discutir isso, mas dou risada da falta de criatividade de alguns artistas que, na falta de algo melhor, apresentam qualquer lixo que lhes venha à cabeça. Haviam também algumas instalações horríveis como umas latas com ridículas esculturas em seu interior ou uma série de guarda-chuvas empilhados no teto.

Os textos que explicam cada obra são um show à parte. Os idiotas não sabem dar uma explicação simples, sempre tentam usar expressões ridículas como “isso remete a aquilo” ou “essa obra discute” e por aí vai (ladeira abaixo).



Mustache Rider urinando em uma obra. Melhor performance da Bienal


Em um momento eu tive vontade de começar a quebrar tudo e a gritar: “morram seus pseudo-intelectuais de merda, morram!”. Se viesse algum segurança me barrar minha esposa iria avisar: “deixa, ele é um artista fazendo uma performance niilista, interagindo com a obra e provocando uma alteração no ambiente interior de cada pessoa, enquanto indivíduo e coletivo. Ou não.” Depois eu iria arrancar minha roupa e sair correndo e atirando nos viadinhos assustados.

O pior do “pseudismo” é que os pseudos afirmam que quem não gosta é porque não entendeu. Isso é uma proteção para eles bem cômoda, pois muita gente acha aquilo uma merda mas não admite por receio de ser taxada de ignorante. Eu estou pouco me fudendo para o que acham de mim e por isso vou na contra-mão da crítica e do público em geral e digo: mesmo sendo de graça não vá a este evento da estupidez que ultrapassa os limites do ridículo. A Bienal, que até já foi boa, hoje em dia está uma merda absoluta.

Mustache Rider