quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Mustache Rider Returns - Parte Final


Os outros membros começaram então a entoar cântigos em alguma língua estranha e, um de cada vez, se aproximavam dela e derramavam um pequeno copo repleto de sangue sobre seu corpo. Essa atitude deixava a cobra de duas cabeças, ergida pelas mãos da mulher, bastante agitada. Quando todos os membros já haviam derramado sangue no corpo dela, ela deixou que a cobra deslizasse sobre suas formas perfeitas, suavemente e bebendo todo o sangue. Os outros integrantes começaram a se despir da mesma forma e percebi que eram todas mulheres. Estava achando todo aquele ritual muito interessante.

Antes que eu pudesse ver a conclusão do que estava acontecendo, fui abordado por outras participantes do grupo que faziam a guarda da aldeia enquanto o ritual acontecia. Elas me pegaram e me conduziram ao local onde todas estavam. Quando elas me viram, a cerimônia foi interrompida. Na hora pensei: "Agora já era, elas vão me sacrificar e oferecer meu sangue aos
deuses". Mais uma vez eu estava enganado, a líder do grupo, que naquele momento devorava a carne da cobra de duas cabeças, se aproximou de mim e me convidou a ir ao centro da aldeia juntamente com ela. Todas as outras se ajoelharam. Então Começou um outro cântigo sagrado. A própria líder do grupo começou a despir minha roupa, lentamente e passando a mão sobre cada parte do meu corpo.

Confesso que mesmo achando que ia morrer eu fiquei excitado. Se era para morrer, que fosse daquele jeito. Então uma mulher trouxe um cachimbo para a líder que começou a fumá-lo. Ela então se ajoelhou aos meus pés e ofereceu o cachimbo para mim, que pensei: "Melhor morrer anestasiado mesmo, a dor será menor". Fumei o cachimbo, cujo conteúdo eu ja sabia o que era. Logo na primeira tragada, todas as outras mulheres se levantaram e começaram a dançar, pegando suas espadas e batendo umas contra as outras.

A líder então começou a fazer sexo oral em mim. "Meu Deus, isso sim é uma forma de morrer". Logo após me convidou ao coito, o que teria que atender prontamente. Tive que praticar todas as possições possíveis e imaginárias no meio do chão e observado por todo o grupo. Resolvi fazer o melhor que poderia pois imaginei que assim minha morte ao final do ritual seria menos dolorosa. Depois de tudo finalizado, eu me levantei e a líder me vestiu com um traje igual ao delas, com a única diferença de que era vermelho e não branco.

Fui então conduzido a uma das cabanas, juntamente com a líder e duas outras mulheres. Desta vez já estavam todas novamente vestidas com seus trajes. Estando lá, a líder perguntou se eu falava francês, respondi que não. Ela tentou o alemão, disse que só um pouco, daí ela tentou o inglês e conversamos nessa língua mesmo. Pois é, os filmes estão certos, todo mundo fala inglês, até mesmo nas tribos mais distantes.

Ela então me explicou que elas fazem aquele ritual a cada sete anos para atrair algum homem para a aldeia. Elas precisavam fazer aquilo para manter a população local, já que lá só haviam mulheres. Pensei: "Beleza, me dei bem". Só que não seria só putaria não. Ela me explicou que eu ficaria isolado com um grupo de três mulheres durante um mês, sendo "obrigado" a acasalar
com cada uma delas todo dia e várias vezes ao dia. E assim eu faria até a passar por todas as mulheres, sempre de três em três. Ela me disse que tudo isso duraria cerca de dois anos e nesse período eu não precisaria me preocupar com nada, alimentação e tudo mais seria servido por elas.

Foi então me oferecido um grande banquete, com peixes, crustáceos, carne de cabras e outras coisas. A bebida era uma espécie de vinho feito da fermentação da papoula. O efeito era bem forte, mas ao mesmo tempo relaxante. E foi assim que passei aquela noite, festejando com elas o início do período de acasalamento, que começaria no dia seguinte.

Logo pela manhã, após um desjejum repleto de frutas da ilha (sim, eu não sabia mas elas tinham em algum lugar frutas como goiaba, laranja e outras), a líder então me encaminhou à cabana das três felizardas que seriam as primeiras. Acho que devido aos intensos exercícios físicos que ninjas macumbeiras precisam fazer, elas possuiam um corpo tão perfeito que nem nos meus
sonhos mais eróticos pude imaginar. Chequei lá e elas já foram se despindo, com toda vontade do mundo, o que era mais do que compreensível, pois elas provavelmente estavam a cerca de cinco anos sem contato com um homem. Elas então fizeram uma espécie de oração e começaram a encorporar algum espírito demoníaco, o que deduzi pela risada de filme de terror que elas emitiram. Os olhos estavam vermelhos e com aquela sede insaciável de um viajante no deserto quando chega ao oásis. E como se eu fosse uma fonte de água, elas se atiraram violentamente sobre mim.

Não vou entrar em detalhes de cada dia de passei lá, mas essa foi minha rotina durante cerca de dois anos. Como na ilha não havia Internet e mesmo que se houvesse eu não teria tempo e mesmo que tivesse eu tinha coisa melhor para fazer, acabei ficando todo esse período sem escrever para o Buldozer.

O tempo passou e fui cada vez mais me aproximando do fim de minha colônia de férias. Foi então que duas perguntas começaram a me incomodar: "Onde estão os outros homens que vieram aqui antes de mim?" e "O que será de mim quando eu fecundar todas as mulheres da tribo?"

Chegou então o dia em que copulei com o último trio. A líder então me disse que agora seria a vez dela que, por ser a líder espiritual do grupo, duraria dois meses ao invés de um mês apenas. Ao contrário das outras, ela não incorporou nenhum espírito demoníaco quando estava comigo. E nem precisava, a mulher em si já se transformava no próprio Satanás. Passei então assim mais dois meses naquela ilha.

Terminado mais aquele período de orgias comecei a temer mais seriamente o que seria feito de mim. Logo pela manhã fui encaminado por duas das mulheres da tribo para uma cabana na aldeia onde se preparavam os rituais mais importantes. Vesti novamente a túnica vermelha e um chá feito com plantas locais me foi dado para beber. Fui levado, como já imaginava, para o centro da aldeia onde me colocaram ajoelhado. A mulherada se aproximou, todas com suas espadas e túnicas, e começaram com aquela putaria de cântigos sagrados, banho em sangue de animais estranhos e essa porra toda.

Com tanto tempo na ilha, já sabia falar um pouco da língua delas. Foi assim que pude entender o discurso da líder que dizia que, assim como em várias espécies animais, após fecundar a fêmea o macho deveria ser sacrificado para evitar que a tirania machista tomasse conta daquele povo e que os deuses continuassem mandando reprodutores a cada sete anos. Foi aí que saquei
que tinha me fudido de verdade.

Minha vida começou a passar diante de mim igual dizem que acontece quando estamos prestes a morrer. Todas as podreiras e bizarrices que cometi voltaram à tona. Foi então que pensei: "Foda-se, é melhor morrer mesmo". Chegaram então com uma bacia contendo um feto de bode com duas cabeças ainda vivo que foi arrancado do ventre da mãe a poucos minutos. Tive então que comer aquele ser estranho, que havia tido o mesmo destino que me aguardava.

Enquanto comia a carne doce daquele animal lembrava das conversas que tive com algumas das mulheres durante o tempo que passei lá. Um dos questionamentos que tive foi porque tantos animais bizarros nasciam no lugar. Elas me explicaram que tudo começou no dia em que viram uma enorme árvore de fumaça e fogo se formar no horizonte. Desde esse dia essas criaturas
começaram a nascer. Foi então que a sacerdote delas percebeu o recado dos deuses, relacionado ao grande tesouro da maternidade, e resolveu sacrificar todos os homens da ilha e fundar a aldeia de mulheres. Essa prática de matar homens continuava até então, incluindo os filhos das próprias integrantes da aldeia. Essa prática, segundo a crença delas, mantém as doenças e nascimentos estranhos longe delas.

Após devorar o pequeno animal, tive então uma espada enfiada em meu peito. O sangue jorrava abundantemente e era recolhido e guardado em alguns recipientes de barro. Quando eu estava quase sem forças, sinti uma lâmina afiada cortar meu pescoço e minha cabeça já sem vida caiu sobre o chão. Com muita dança e festa o ritual foi encerrado, sendo que elas beberam meu sangue e comeram minha carne no banquete daquela noite.

Observava aquilo tudo com bastante naturalidade já que após todo aquele tempo de orgia e prazer nada mais lógico que eu morresse. Depois de alguns minutos me espantei: "Caralho, eu não morri! Então esse lance de vida após a morte é verdade mesmo". O mais espantoso é que eu não me sentia nem um pouco diferente, parecia o mesmo. Ouvi então uma voz que vinha do alto. Eram os deuses falando comigo. Entendi claramente a mensagem de que tudo aquilo deveria acabar e me fiz o instrumento desta transformação. Aguardei todas irem dormir e aproveitei o fogo da fogueira para incendiar toda a aldeia. Me diverti em ver aquelas mulheres com corpos e rostos perfeitos queimarem e gritarem até a morte.

Após a última mulher morrer, me vi sendo transportado de volta à mesma construção onde havia sido capturado, que agora já era um prédio quase pronto. Acho que a ajuda dos deuses juntamente com o efeito da radioatividade que eu absorvi durante o tempo na ilha fizeram com que recuperasse meu corpo. Meu espírito havia mantido toda a minha gordura e isso fez com que o processo de materialização fosse mais fácil.

Bem, devido a esses acontecimentos fiquei todo esse tempo sem escrever aqui para o Buldozer, mas para a infelicidade geral estou de volta. Se uma nova ausência acontecer, pode ser que eu tenha sido morto novamente por alguma sobrevivente da aldeia das mulheres ninjas Ku Klux Klan.


Mustache Rider