quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Mustache Rider Returns - Parte 2

Não sei quanto tempo fiquei desacordado, mas quando acordei estava em algum local diferente que não consegui indentificar imediatamente. Só após alguns segundos depois que percebi que era uma espécie de caixa de metal que seria totalmente fechada não fosse a presença de uma minúscula abertura por onde passava ar. O maior problema era que a tampa da tal caixa estava voltada para o lado de baixo. Tentei então forçar uma das laterais da caixa para virá-la e assim conseguir sair mas era impossível, parecia que outros objetos pesados a prendiam muito bem.

É difícil saber quantos dias se passaram, a fome e a sede eram insuportáveis. A única água que eu bebia eram algumas poucas gostas que entravam pela abertura da caixa quando chovia. Foi então que sem mais nem menos senti a caixa se mover. Pensei: "Beleza, vão me tirar daqui". Para variar eu estava enganado. Senti que a caixa foi jogada de uma certa altura e de repente ela começava a virar e a se encher de água. Pensei: "Fudeu, me jogaram ao mar". Comecei então a bater na abertura da caixa com toda minha força para tentar escapar mas não conseguia. O nível de água dentro da caixa subia rapidamente. Foi então que a caixa bateu em alguma coisa e isso ajudou a tampa a se abrir. Saí rapidamente e avistei uma praia a poucos metros, a qual cheguei nadando usando a pouca energia que ainda me restava.

Fiquei quase duas horas deitado na areia da praia recuperando o fôlego até me levantar e andar um pouco pelo local a procura de comida. Notei então que alguns siris caminhavam próximo de onde eu estava. Peguei o primeiro pedaço de madeira que pude achar e fui atrás dos bichos. Acertei um bem na cabeça e o peguei, ainda vivo. Nem esperei o bicho morrer, arranquei uma a uma cada pata dele e comi toda a carne que elas continham. Fiz isso ainda com outros siris e consegui ao menos disfarçar a fome que sentia.

Comecei a andar pela ilha e notei que ela era um pouco diferente do que normalmente se associa a ilhas desertas. Ao invés dos tradicionais coqueiros, haviam papoulas e cannabis em todo o lugar. Existia uma escassa grama em alguns pontos e toda ela repleta de cogumelos. Meu Deus, aquilo parecia o paraíso! Se a Holanda fosse uma ilha eu iria pensar que estava lá.

Não demorou muito e resolvi experimentar uma das "especialidades" do local. Pensei: "Depois de tanta merda mereço relaxar um pouco". Fui logo direto na Cannabis. O problema no início é que era a planta e não o bagulho já "industrializado" e pronto para o consumo. Assim eu nunca tinha experimentado, mas valia a pena tentar. Peguei algumas folhas e comecei a amassar com uma pedra. Depois de terminar foi que me toquei: "Putz, preciso arrumar uma seda!" Procurei algo que pudesse servir de seda e não achei nada, então resolvi enrolar em uma folha de Cannabis mesmo, com todo cuidado para não quebrar. Foi então que me veio outro problema: "Merda, como vou acender isso?".

Como em uma ilha eu teria que aprender a produzir fogo mais cedo ou mais tarde, decidi que era uma boa hora para fazê-lo, já que era por uma ótima causa. Usei todo meu conhecimento ardualmente conquistado vendo um monte de filmes merda mas nada dava certo, esfregar gravetos, provocar atrito entre duas pedras e outras coisas. Quando já estava quase para desistir, deu certo e pude saborear meu psicotrópico tranquilamente.

Sentia uma paz imensa, encostei em uma pedra e fiquei um tempo pensando na vida e em outras coisas que não consigo me lembrar agora. Fiquei assim por mais de duas horas descansando de tudo que me tinha acontecido, até que a fome que eu sentia antes voltou com muito mais intensidade. Precisava achar algo para comer com urgência. Estava sem paciência para pegar outros crustáceos, pescar ou algo do gênero, então fui direto nas plantas que achei e comi as papoulas e cogumelos, só depois pensando que muitos deles poderiam ser venenosos. Para minha sorte não só minha fome passou como novas e melhores sensações vieram de sobremesa.

Fiquei por alguns dias nessa rotina até decidir explorar a ilha um pouco melhor. Andei por quase duas horas pelo local até encontrar algo mais estranho do que a ilha em si. Me escondi atrás de uma vegetação enquanto observava aquele grupo de pessoas vestidas de branco em torno de uma fogueira. A roupa era bem parecida com a que os membros da Ku Klux Klan usam, com exceção do capuz que era um pouco menor.

O tal grupo estava em volta a uma fogueira, cada um com uma espada, praticando algum tipo de arte marcial. Ao centro, mais próximo da fogueira, alguns membros faziam oferendas com animais mortos, velas, imagens de demônios e outros objetos do tipo. Ao redor do local haviam várias cabanas indígenas, onde provavelmente eles moravam. Na hora pensei: "Fudeu, vim parar na aldeia dos ninjas macumbeiros Ku Klux Klan".

Notei algo estranho também nos animais sacrificados e em outros que eles estavam prestes a matar. Todos eles tinham alguma espécie de mal formação. Uns possuiam duas cabeças, outros uma pata a mais, ou três rabos e por aí vai. Em determinado momento um dos membros se posiciona ao centro, em frente a fogueira, e ergue uma serpente branca com duas cabeças. Essa pessoa então começa a ser despida por outros dois integrantes do grupo, não retirando apenas o capuz que cobria o rosto. Foi então que vi que se tratava de uma mulher, com um corpo escultural, diga-se de passagem.


Mustache Rider