sábado, 11 de dezembro de 2004

ASSASSINATOS AUMENTAM RENDA PER CAPITA DO RIO DE JANEIRO


Um importante indicador socioeconômico da capital do Rio de Janeiro teve leve melhoria, causada, curiosamente, pelo elevado número de assassinatos na capital. A chamada renda por capita, que correspode à divisão do PIB de uma região pelo número de habitantes, é um número que indica a quantidade de recursos presentes no local por cada habitante, sem levar em consideração a distribuição de renda.

Economistas cariocas comemoraram os números quando saíram, pois mostravam que o Rio de Janeiro tinha conseguido a 2ª maior renda per capita do país, superando até mesmo São Paulo. O "banho de água fria" veio, contudo, quando economistas da USP analisaram o cálculo e compararam os números com as estatísticas de assassinatos na capital carioca. Eles provaram que a renda per capita carioca havia subido, sim, mas devido a uma redução sazonal da população, cuja causa principal, afirmam, é a escalada das mortes violentas na cidade. É um raciocínio matemático simples: o PIB permaneceu (numerador), mas o número de habitantes (denominador) reduziu-se devido às mortes. Dessa forma, a renda per capíta (dividendo), só poderia mesmo ser maior.

"Sem falar no dinamismo econômico das funerárias locais, que certamente contribuiu para o desenvolvimento do PIB", ironizou o professor Ângelo Coutinho, da USP, que além de ser PhD em aconomia latino-americana, é bem conhecido em seu meio por lançar mão de um humor bastante ferino quando considera conveniente.

Não tão bem humorada foi a opinião do secretário Anthony Garotinho:

"Esse estudo não me convence. Com a graça de deus, nossa população vêm produzindo muitos rebentos. A verdade é que a nossa economia têm se diversificado e produzindo cada dia mais bem-estar para o nosso povo, o que é o nosso grande objetivo!"

Fonte: Folha UOL (clique aqui para ler a matéria na íntegra)