sábado, 1 de maio de 2004

Diário de um mundo dark – FESTA DA BIOLOGIA

Nos comments do post anterior, Mustache Rider ficou sabendo que a gente iria para uma festinha da turma da UnB, e falou logo:

Na época em que eu morava aí as festinhas da galera da UnB eram sempre umas bostas. Mesmo assim, acho que o Reinaldo, Leo e Yakon deveriam ir, porque sempre que 2 dessas pessoas saem juntas, rola alguma história bizarra para contar aqui no blog.

Dito e feito. Lá fomos eu, Reinaldo e Demetrius para o Lago Sul, com a porra de esperança de uma boa festa. No curso de Biologia da UnB tem bastante mulher bonita, e já estava prometido que as bebidas estariam baratas lá dentro. Chegando lá, ficamos enrolando do lado de fora. Em dez minutos, já sabíamos que a festa ia ser uma merda:

- Só estão chegando homens e casais, Leo.
- É. A concentração de macho na entrada ta braba.
- Já compramos os ingressos. Já era.
- É.

Não vou relatar as tosqueiras da festa toda, só os pontos “altos”:

1- A bebida estava é cara, se for considerar o que estava sendo servido: o “vinho” era de uma garrafa plástica de 5 litros de vinho para sangria; vodca “Moscowita”, aquela mais barata que Caninha 51; a “gelavodca” (gelatina feita com vodca), que não desgrudava do copinho; cachaça só pura, nada de sabores...e por aí vai.
2- O DJ passou a noite inteira, quase, tocando hip-hop. Tocou meia-dúzia de forrós, e na única hora que começou a tocar algo que preste, technopop, rock nacional, etc, os CDs ficaram pulando. O tempo todo. Quando voltou a tocar hip-hop, o som ficou bom de novo.
3- Na única meia hora que tocou música boa, nove manés pararam perto da pick-up e começaram a gritar: PAU NO CU DO DJ! QUEREMOS HIP-HOP! (que já tinha tocado nas três horas anteriores). O DJ tocou mais duas músicas de gente e cedeu. Mais hip-hop o resto da noite, com direito a repetir músicas e tudo.

Auge da noite: uma mina bem gatinha ficava dançando sensualmente, e se insinuando para os machos que passassem perto. Quando um cara tentasse chegar junto, ela virava as costas e ficava se esfregando sinistramente em um patola que estava do lado dela. Já estou escolado com esse lance brasiliense de mole-falso, mas essa mina era meio estranha, porque não beijava o patola nem nada, só ficava se esfregando nele sinistramente, os dois dançando parecia que estavam a trepar. Vi o Reinaldo conversando com o cara, e de repente fazendo uma cara de susto e pedindo desculpas para o brucutu. Tive que perguntar:

- Reinaldo, você perguntou se ele é ou não namorado dela, né?
- É. (fazendo uma cara esquisita)
- E, lógico, ele disse que sim.
- Não. Ele é irmão dela.

Não acreditei: A PORRA DA MULHER PASSOU A FESTA INTEIRA SE ESFREGANDO NA ROLA DO PRÓPRIO IRMÃO!

Reinaldo só me falou:

- Sempre te falei que o mundo é dark, Léo. Acredita agora?
- (Eu, ainda de cara) É. O mundo é dark a vida é dark, tudo é dark.

Demetrius foi lacônico:

- Vamos embora.

Ainda comprei uma coca, e fiquei uns dez minutos sentado, de cara, olhando para a parede, mudo. Depois fomos embora.